Brasil

Orelhões entram em contagem regressiva e podem desaparecer das ruas até 2028

Giovanna Gonçalves - Estágio DM

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 14:00 | Atualizado há 6 meses

Pessoas utilizando o serviço telefônico público orelhão" | Foto: Divulgação/CASACOR
Pessoas utilizando o serviço telefônico público orelhão" | Foto: Divulgação/CASACOR

Os orelhões vão desaparecer gradualmente das ruas do Brasil. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) confirmou que cerca de 30 mil telefones públicos ainda em funcionamento serão desativados até 31 de dezembro de 2028, prazo que marca o encerramento dos contratos de concessão da telefonia fixa e a migração definitiva do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) para o regime privado de autorização.

Criados em 1972 e projetados pela arquiteta sino-brasileira Chu Ming Silveira, os orelhões se tornaram símbolo da comunicação urbana e da política de universalização do acesso à telefonia no país. No auge, o Brasil chegou a ter mais de 1,5 milhão de aparelhos instalados, incluindo áreas rurais e regiões remotas onde o sinal de telefonia móvel era inexistente ou instável, fazendo dos telefones públicos, em muitos casos, o único meio de contato para emergências e serviços básicos.

Com as mudanças no modelo regulatório do STFC, os contratos das operadoras Telefônica, Algar, Claro, Oi e Sercomtel passaram a permitir a retirada dos aparelhos em regiões consideradas não obrigatórias. Isso ocorre porque, ao migrarem para o regime privado de autorização, as empresas deixaram de ter a obrigação de manter e expandir a rede de telefones públicos, exceto em locais onde a cobertura de telefonia celular ainda é classificada como falha.

Segundo a Anatel, a medida busca adequar o serviço à realidade atual do setor de telecomunicações e garantir que todos os brasileiros continuem tendo acesso à comunicação. Por esse motivo, cerca de 9 mil orelhões devem permanecer ativos até 2028 em áreas sem cobertura 4G ou com limitações significativas de conectividade móvel.

A retirada gradual dos aparelhos faz parte de uma estratégia mais ampla de redirecionamento de investimentos. As operadoras assumiram compromissos de aplicar recursos na ampliação da infraestrutura de telecomunicações, com foco em redes de banda larga, expansão da fibra óptica, instalação de antenas móveis e aumento da conectividade em escolas e outras instituições públicas.

Os poucos orelhões mantidos em operação deverão permanecer em funcionamento até o fim de 2028, quando a Anatel avaliará novamente a necessidade do serviço diante da cobertura e da qualidade das redes móveis e de internet no país.


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