Brasil

Os atentados na França e o sinal de alerta sobre o fanatismo religioso

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2015 às 23:38 | Atualizado há 11 anos

Sempre que ocorre algum ato de violência envolvendo interesses políticos divergentes surgem manifestações de pessoas que, considerando-se especialistas no assunto, dividem os antagonistas em bons e maus, mocinhos e vilões. Quando extremistas islâmicos saem de algum país árabe para matar inocentes em algum ponto do mundo, logo surgem algum intelectual para tentar “justificar” o ato insano como sendo a consequência “natural” de uma reação contra a dominação e opressão Trata-se, evidentemente, de um anacronismo, de uma visão equivocada tanto sob o aspecto histórico, quanto em relação ao contexto cultural. Atribuir os interesses geopolíticos das nações ocidentais sobre os países árabes como sendo a causa do surgimento de reações violentas por parte de grupos fundamentalistas é simplório e superficial.
A interferência ocidental, principalmente em países produtores de petróleo, dá-se por interesses econômicos, evidentemente. Entretanto, isso só é possível graças a existências de instabilidades e disputas étnicas internas nesses países. É verdade que, historicamente, as potências ocidentais sempre definiram seus interesses geopolíticos através de ocupação direta ou apoiando ditadores e financiando insurgências políticas na região. As redes terroristas Al Qaeda e o Estado Islâmico foram criados, treinados, armados e financiados pelo Ocidente, em especial pelos EUA. É preciso voltar um pouco mais à história e saber que a doutrina islâmica também tem suas aspirações expansionistas e de dominação, seja de forma sectária ou dogmática, seja geopolítica. O islamismo expandiu-se por todo o norte da África e as chamadas invasões árabes dominaram toda costa mediterrânea, estabelecendo-se na Península Ibérica, parte da Itália e da França, iniciado pelos povos Omíadas (660, d.C.), passando pelos Apássidas (1258, d.C.). Não é raro ler alguém dizer que a mão de obra em regime de semiescravidão dos povos árabes foi muito empregada na reconstrução da Europa nos períodos pós-guerra, o que explica parte do sentimento de revolta da juventude árabe, principalmente da que vive na Europa. Entretanto, os historiadores raramente citam que quando a Alemanha foi vencida na Segunda Guerra Mundial a maior parte de seus soldados foi utilizada na reconstrução das potências vencedoras. Só a França submeteu aproximadamente 200 mil alemães a trabalho forçado em sua reconstrução. Nem por isso a Alemanha tenha se tornado u país fundamentalista ou terrorista. Ao contrário. Trabalhou muito, com o extraordinário empenho de seus concidadãos, tendo investido maciçamente em educação e se tornado essa grande nação que, por ironia da história, é quem carrega praticamente sozinha toda a Europa. Atribuir as ações terroristas ao simples sentimento de revolta contra o preconceito e exploração contra esses povos é ter uma visão demasiadamente romântica e superficial sobre a realidade vivida atualmente na Europa. Afirmar que os muçulmanos que vivem na Europa são os coitadinhos explorados e desrespeitados constitui, em verdade, uma grande injustiça contra países como França, Bélgica, Dinamarca, Holanda, por exemplo. Os imigrantes, nesses países, desfrutam de garantias e privilégios que jamais teriam em seus países de origem. Pode-se dizer que em muitos casos, o estrangeiro tem muito mais direitos que o cidadão nacional. A seguir a lógica do “coitadinho explorado e discriminado”, deveriam ser os europeus os revoltados e terroristas. O imigrante, notadamente o árabe, recebe educação integral para os filhos, moradia, saúde, trabalho e tem a sua liberdade de culto respeitada. Uma das maiores revoltas dos cidadãos europeus é em relação à demasiada oneração do contribuinte para assegurar benefícios sociais aos imigrantes. Esta é a razão pela qual tem aumentado a adesão às manifestações “xenófobas” e o surgimento de partidos nacionalistas, que muitos os chamam, equivocadamente, como sendo de “extrema-direita”. De outro lado, o cidadão europeu, este sim, sofre discriminação em seu próprio país. Não são raros os casos de agressão física contra os europeus por não serem muçulmanos. Os nacionais, ou qualquer um que não seja mulçumano, são considerados “infiéis”, os inimigos que devem ser eliminados. Isso tudo dentro de seu próprio país. A rede terrorista Al Qaeda, desde que Osama Bin Laden era vivo e, agora, o Estado Islâmico, vivem repetindo que a Europa vai ser destruída e, para isso, vão utilizar a sua própria arma: a democracia. Qualquer um que viajar à Europa verá o quanto ela está desfigurada, com altíssimo índice de violência, inclusive contra as mulheres europeias ou ocidentais, que são agredidas nas ruas, por serem consideradas “vagabundas” pelo simples fato de não andarem vestidas cobertas da cabeça aos pés, como o fazem as mulheres muçulmanas. Não é confortável fazer esta afirmação, porém, constata-se que determinados povos, como os árabes, carregam em si uma herança atávica radicalmente contrária a qualquer ideia de evolução civilizatória. Uma criança árabe de hoje parece carregar em si o gene do retrocesso humano, apresentando mentalidade como se vivesse na Idade da Pedra. Seria uma espécie de força imutável da própria natureza. Há uma lenda que conta a seguinte metáfora: certa vez, um escorpião desejava atravessar um lago no deserto, mas não sabia nadar e poderia morrer afogado. Então, perguntou à rã se ela poderia atravessá-lo, carregando-o em suas costas. A rã respondeu que até faria tamanha gentileza, mas tinha medo de que ele a picasse. O escorpião jurou que se a ajuda lhe fosse dada ele não a picaria, que a rã poderia ficar despreocupada. A rã, então, colocou o escorpião em suas costas e o atravessou, em segurança. O escorpião, ao chegar ao outro lado, deu uma picada na rã, injetando-lhe seu veneno mortal. A rã, morrendo, disse: você me matou. Mas você tinha jurado que não me faria mal. O escorpião respondeu: sinto muito, mas essa é a minha natureza. A situação dos imigrantes árabes na Europa tem muito a ver com a metáfora da rã e do escorpião. Não importa todo o bem que lhes for feito. A mentalidade obscura e a intolerância à diversidade cultural, religiosa, à evolução civilizatória, formam a índole e a composição orgânica de seres radicalistas sectários e primitivos.
A violência gerada pela cegueira esquizofrênica do fundamentalismo islâmico, expressão do que há de mais retrógrado às aspirações civilizatórias da humanidade, bem que poderia ser útil para extrairmos importantes lições aqui no Brasil. Fica muito bem claro que o sectarismo, o dogma religioso, quando instituídos como política de Estado, serve para conduzir uma nação inteira ao abismo da ignorância, do fanatismo e, consequentemente, do ódio. Tudo isso deveria servir não apenas como lição, mas como um sinal de alerta sobre o perigo e a ameaça que, no Brasil, marcha a passos largos através da atuação perniciosa da chamada “bancada da Bíblia” que infesta e deteriora a agenda política brasileira.

(Manoel L. Bezerra Rocha, advogado criminalista – [email protected])

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