Os barretos da Bahia em Goiás
Redação DM
Publicado em 10 de outubro de 2015 às 22:38 | Atualizado há 11 anosNo dia 26 de setembro último, na chácara Estância Real, município de Goiânia, cedida gentilmente por seu proprietário Valtuir Alves de Oliveira, realizou-se o quinto encontro anual da família Barreto, oriunda da localidade de Cocos, na Bahia, e ramificada em grande parte no Vale do Paranã, na região leste goiana. Família numerosa que, em parte, se radicou também em Goiânia, desde a construção da nova capital do estado, participando de sua vida social e política.
Vale lembrar que o juiz de direito aposentado, Antônio Barreto de Araújo (Adir Barreto) foi vereador em Goiânia de 1959 a 1962, tendo sido neste último ano presidente da Câmara Municipal, e no ano seguinte, diretor do CEPAIGO, é pai do atual deputado Talles Barreto (PTB), já em segundo mandato, sendo atual presidente da Comissão de Constituição de Justiça da Assembleia Legislativa.
No ato ecumênico celebrado na ocasião do referido encontro, falou em nome da tradicional família, o padre Djalma Barreto, cujo texto respectivo segue na íntegra, como referência da historiografia regional.
A quinta geração dos Barreto
Refletindo sobre o desdobramento da família Barreto desde Correntina-BA até Posse-GO, foi que Tia Zu se deu conta de que ela já fazia parte da quinta geração sobrevivente dessa família numerosa. “Preciso despertar os novos a continuarem nosso tradicional encontro, que é a festa anual de congraçamento dos Barretão”.
Ao examinar as nossas origens (dos Barreto), descobrimos que a bisavó Henriqueta não é Barreto de nascimento, mas de casamento. Nosso Barreto vem de José Barreto, de quem “seu Zélis” herdou o nome José Barreto Neto.
José Barreto (bisavô) é natural de Cocos na Bahia, e mudara-se para São José no município de Posse em Goiás. Ali se casou com Henriqueta Marques de Araújo. Desse casamento, nasceram-lhes cinco filhos: Otaviano Barreto, Trajano, Landulfo, Olinda e Ana (Sianinha Barreto). Barretos diretos, portanto, são os descendentes desses cinco filhos da bisa Henriqueta com José Barreto. Bisa Henriqueta casou-se de novo, desta vez com Aristides Rodrigues Costa e lhes vieram seis filhos, assim chamados na intimidade: Teca, Valdu, Nini, Codó, Dazinha e Siu. Esses e os seus descendentes, Barretos por afinidade. Como se vê, somos mescla desses dois matrimônios de vó-bisa Riqueta. Pertencemos, é claro ao mesmo contexto familiar.
Agora, ligando nossa realidade ao texto bíblico, ouvimos Deus dizendo a Jacó: “Levanta-te! Sobe a Betel e fixa-te ali.” A mesma voz ecoou em José Barreto (bisavô): “Desloca-te de Cocos e vai a São José de Posse e ali fixa residência.” Deus continua dizendo a Jacó: “Sê fecundo e multiplica-te”. E assim disse o mesmo a José Barreto. E como de Jacó nasceu uma “assembleia de nações”, de José Barreto descendemos todos nós. “Em Betel, erguerás um altar ao Deus que te apareceu, Jacó”. Essa voz ecoou em Cocos: “Em São José de Posse, José Barreto, construirás a referência familiar de muitas identidades nascidas de ti”.
Continua o texto bíblico (Genesis 35, 1.11-15): “Jacó erigiu uma estela de pedra onde Deus lhe falara e deu-lhe o nome de Betel”. Para nós, este quinto encontro dos Barretão, é Betel, lugar simbólico de uma manifestação da mesma mensagem transmitida a Jacó.
Estamos construindo a estela comemorativa de nossa história hereditária, já pela quinta vez. Resta aos mais novos dessa geração perpetuá-la. Resta-lhes firmar o compromisso de transformar este encontro familiar numa Betel sagrada, jamais inesquecível, sempre lembrada, sempre celebrada solenemente. Celebremos, pois, nossas raízes, projetando essa herança viva para nossas futuras gerações, sempre num lugar, como Betel, onde Deus nos fala.
(Padre Djalma Barreto, psicólogo e professor aposentado da PUC-GO)