Brasil

Os cachinhos dourados de Ana Carla Abrão

Redação DM

Publicado em 1 de dezembro de 2015 às 22:24 | Atualizado há 11 anos

A secretária de fazenda de Goiás, a economista uspiana Ana Carla Abrão traz em sua cabeça, além dos lindos cachos dourados, um cérebro vigoroso e sério. É uma cartesiana clássica, matriz teórica e intelectual típica do pensamento econômico neoclássico. Pensa em quadrados ou compartimentos e,de verdade, isso lhe dá alguma vantagem teórica e pratica.

De outra feita sou obrigado a reconhecer que é ela, a “cachinhos dourados” quem está salvando o lastimoso e maçante governo de Marconi Perillo.

Ela, filha de políticos experimentados, já mostrou que tem luz própria e não tergiversa, arremata todo o tempo o drama das contas públicas dos Goyazes: “A folha está impossível!”; “Gasta-se um bilhão com pessoal!” ou “Terceiriza logo…”.

Sua pegada por arrecadação impressiona os mais empedernidos usurários e rentistas de Goiás e, de fato, é de um pragmatismo econômico sem fim.

Para a “Senhora Cachinhos”, o negócio é contenção e arrecadação e… Ponto final.

Na outra ponta, seu chefe não cansa de dizer que Goiás mostra sua “força” para o Brasil; que a economia goiana é a que mais “cresce”; que “crescemos” mais que a média de todos os estados juntos; que nossa média já vai longe na frente da bancarrota nacional. E vai mais…

…Goiás ficou pequeno… Perillo quer agora levar o “padrão Goiás” para o Centro-Oeste e daí virou o chefe/coordenador/diretor/rei/presidente da frente de governadores do sertão central do Brasil.

Marconi vai com o sonho; Abrao, quer dizer… “Cachinhos” é o feijão. Nos conta, em economês puro e simples que as contas públicas do Estado estão por um fio; que a capacidade de investimento do Estado diminui ano após ano; que obras e serviços essenciais para a boa gente de Goiás serão e serão proteladas até a tsunami de fracassos dar uma trégua. Nos conta que nossa conta, sobretudo, nossa conta social, não vai ser paga.

“Cachinhos dourados” é um livro; Perillo é esporte, parafraseando uma das canções da roqueira Rita Lee e seguimos na maior esquizofrenia econômica que já se viu! Empresas que se achegam pra cá com toda sorte de incentivos mas que pouco alteram para cima e para frente a dinâmica econômica do Estado, pouco contribuem com um novo ciclo sócio-produtivo para a província e que, tal qual outrora, mantem a mesma lógica de desterritorialização de divisas e capitais de Goiás para outras fronteiras.

Não… Goiás não é a sucursal do paraíso; o interior goiano está esterilizado e estacionário; caminhamos para o bom e velho escambo do mundo rural; Perillo é um burocrata de velha cepa, isso tão somente e… Mesmo neoliberal como tem se apresentada, a política econômica desenvolvimentista e liberal-burguesa de Goiás tem no pensamento de Ana Carla Abrao as bases teóricas para que a sociedade estabeleça novos debates sobre o que tem custeado, mantido e financiado a partir do duodecenal governo do PSDB goiano e que é, de longe, o pior PSDB do Brasil.

Cachinhos dourados está a nos avisar!

 

(Ângelo Cavalcante, economista, cientista político, doutorando (USP) e professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara)


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