Brasil

Os riscos de João Gomes se quiser trocar de partido

Redação DM

Publicado em 11 de novembro de 2015 às 21:38 | Atualizado há 11 anos

Muito comenta-se nos bastidores da política de Anápolis sobre as movimentações de partidos e quadros para a montagem de chapas às eleições do ano que vem. Uma das teses é que a aproximação do prefeito João Gomes, atualmente no PT, com o governador Marconi Perillo, do PSDB. A amizade de ambos, segundo o próprio prefeito ressalta reiteradas vezes, é de longa data. Gomes foi entusiasta do projeto de Perillo em Anápolis quando o jovem deputado não era sequer conhecido pela população de Goiás.

A partir desta relação e com a subida de João Gomes à condição de prefeito, após a saída de Antônio Gomide, tem sido natural as especulações a respeito de uma possível troca de partido de João, migrando do PT para alguma legenda da base marconista. Aventou-se a ida ao PSD, hoje sob o comando de Wilmar Rocha, e até mesmo para o próprio PSDB.

O fato é que qualquer alteração partidária de João Gomes neste momento seria desastrosa para suas ambições políticas visando a reeleição. Isto porque, em primeiro lugar, para a população soaria como uma inegável traição ao projeto iniciado por ele e Antônio Gomide, tendo Rubens? Otoni como uma espécie de avalista de ambos. Além disto, o nome de Gomide enquanto cabo eleitoral é maior que Marconi Perillo hoje na cidade de Anápolis.

Se usarmos como termômetro as últimas eleições, o petista foi o primeiro e único a desbancar Marconi Perillo nas eleições na cidade. O ex-prefeito obteve mais da metade dos votos válidos dos anapolinos, deixando Marconi em segundo lugar, algo que jamais aconteceu nas edições anteriores, quando Perillo foi tratado como um filho de Anápolis.

De lá para cá, a imagem de Gomide permaneceu intacta, sem desgaste, enquanto que Marconi, como gestor, naturalmente tem passado por provações e desgastes que, como em qualquer situação de superexposição a longo prazo, vem minando seu poder de influência.

É preciso ainda ressaltar e considerar que historicamente Marconi Perillo jamais venceu uma eleição em Anápolis. Tentar um atalho trazendo João Gomes para seu campo de influência pode ser uma tacada desesperada e que pode resultar em mais uma tragédia.

É fato que a proximidade de Marconi Perillo com a administração municipal de Anápolis é incômoda e gera uma dúzia ou mais de especulações. Com esta movimentação, Gomes ganha facilidades junto ao Governo do Estado, mas também enfraquece a sua imagem perante a militância petista que é conhecida pela sua força ao se unir em torno de um projeto. São dois caminhos com benesses, mas a permanência no PT, hoje, no caso de Anápolis, é um caminho mais racional e justo com o que o prefeito João Gomes conseguiu até aqui.

Se há a aposta de que deixar o PT nos dias de hoje é natural e amplamente justificável, com um discurso pronto envolvendo os escândalos nacionais e o rumo do País, deixar o PT de Anápolis com a história que foi construída e ter contra si a força de Antônio Gomide é, no mínimo, tentar vencer do jeito mais difícil.

O que resta ao prefeito João Gomes se realmente tiver a intenção de trocar de agremiação é aguardar as eleições passarem e – se reeleito – aí sim renovar suas apostas em outro grupo. Mas, de qualquer forma, não deixará de receber o sentimento negativo de traição do grupo que o permitiu ser vice-prefeito por duas oportunidades, tornar-se prefeito e obter sua própria eleição.

A dúvida que deve recair sobre o grupo político de João Gomes, formado obviamente por ele e seus interlocutores mais próximos, é saber se é possível obter o apoio – ainda que discreto – de Marconi Perillo – sem ter de vender a alma ao diabo, ou seja, sem ter de trocar da água para o vinho em termos partidários e encarar a população explicando porque deixou Otoni, Gomide e o PT a ver navios.

 

(Ernani José de Paula é empresário e ex-prefeito de Anápolis)

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