Brasil

Para uma Goiânia mais humana, mulheres negras no poder!

Redação DM

Publicado em 13 de novembro de 2020 às 17:51 | Atualizado há 2 anos


Sonia Cleide

A eleição norte-americana trouxe à cena duas personagens fundamentais para a vitória do democrata  Joe Biden: a advogada, escritora, ativista e política democrata Stacey Abrams, que por anos lutou para garantir a participação de negros na política, uma vez que o voto nos Estados Unidos não é obrigatório, e conseguiu, que os democratas ganhassem dos republicanos na Geórgia. Feito importantíssimo, num estado reconhecidamente republicano. A outra mulher é Kamala Harris, primeira mulher negra a ser eleita para a vice- presidência dos Estados Unidos. Um feito inédito e muito importante para a luta das mulheres negras por espaço de poder.



Sonia Cleide

Trago esta reflexão, porque também aqui no Brasil, estamos tendo a oportunidade de colocarmos nos cargos  executivos e parlamentares municipais, mais mulheres negras! Pela primeira vez, segundo o TSE, atingimos a cota de gênero, com pouco mais de 30% de registros de candidaturas femininas. Além disso, as candidaturas de mulheres negras, cresceram 23% em relação às eleições de 2016 no Brasil. Este é um bom sinal, mesmo que ainda exista partidos que usem de candidaturas femininas, como candidaturas laranjas ou para simplesmente cumprir as cotas, as mulheres estão mais conscientes e melhor, querem ocupar espaço na política. Esta é a grande diferença de outras eleições.

Temos que, assim como Stacey Abrams, investir na formação política da população negra, do jovem negro, da mulher negra. Infelizmente somos a maioria da população goianiense, somos também a mais empobrecida, a que está em situação de vulnerabilidade, a que sofre com a falta de políticas públicas e somos também, a parte sub-representada nos espaços de poder. Nós negras e negros somos a minoria no parlamento, ainda que sejamos a maioria da população! Precisamos mudar esta equação. Precisamos mudar esta realidade de desigualdade e exclusão social e só conseguiremos fazer esta mudança quando o nosso povo despertar e assumir o protagonismo da luta por direitos iguais!

Nos últmos anos, coletivos têm atuado na formação crítica de mulheres negras, empoderando-as, pautando debates em temáticas que são importantes para a população negra. Aqui em Goiânia, uma das primeiras organizações não governamentais surgida há 25 anos, a partir dos agentes pastorais negros da igreja católica, o Grupo de Mulheres Negras Malunga tem feito este trabalho de base com comunidades pobres, dos povos tradicionais, dos povos de terreiro e principalmente com as mulheres negras! Este trabalho ao longo dos anos possibilitou que muitas mulheres, jovens negras, nossas irmãs, superassem séculos de injustiça, desigualdade e pudessem sonhar, estudar, se profissionalizar, assumir suas identidades negras e valorizar suas ancestralidades, tornando-se mais uma de nós, defensoras e ativistas em prol dos direitos humanos e da população negra.

Goiânia, apesar de ser uma cidade jovem, carrega na sua história a marca da exclusão social nas periferias, nas favelas (invasões urbanas), nas ruas e sinaleiros. A população que ocupa estes espaços,  são invisíveis aos olhos do Poder Público. A cidade ainda está fundamentada nos valores e conceitos dos coronéis e da chibata que vêem o povo negro como marginais como pessoas indignas e  agem com indiferença às mazelas sociais!  É preciso lutar contra esta triste realidade. É preciso superar o racismo estrutural e institucional. É preciso desconstruir e desnaturalizar esta situação, por isto, é importante que no próximo domingo, exerçamos nosso exercício de cidadania, e mudemos a cara do parlamento goianiense. 

Eleger candidatas e candidatos negros comprometidos com a causa do povo negro, fará de  Goiânia uma cidade mais inclusiva!

Sonia Cleide é ativista do Grupo de Mulheres Negras Malunga. Ex-superintendente da Promoção a Igualdade Racial. Candidata a vereadora em Goiânia



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