Brasil

Partidos menores esperam de Lula espaço no ministério

Redação DM

Publicado em 29 de dezembro de 2022 às 15:06 | Atualizado há 4 anos

Vinte e cinco dias depois de vencer a eleição e de já ter anunciado mais da metade dos ministros do futuro governo, o petista Luiz Inácio Lula da Silva não indicou quais planos reserva para duas legendas aliadas: PDT e PSOL, este último parte integrante da sua coligação desde o primeiro turno. 

Nesse período, o presidente eleito acomodou correligionários do PT em sete pastas, contemplou outras siglas do seu campo ideológico, como PSB e PCdoB e agora negocia espaços com partidos do Centrão, como o União Brasil. O calendário adotado até aqui já começou a gerar incômodos. O PV, Rede e o Avante também estão à margem da futura equipe ministerial.

O PSOL está dividido internamente sobre compor o ministério, mas há consenso sobre a indicação da deputada eleita Sônia Guajajara (SP) para a cadeira de Povos Indígenas a ser criada. Ela seria a ministra do partido, e estava cotada para ser uma das primeiras anunciadas, mas agora está sob risco até de ficar fora. Ganhou a concorrência da deputada federal Joênia Wapichana, da Rede, outro partido que ainda não tem um ministro anunciado, mas deverá ser representado por Marina Silva no Meio Ambiente.

Principal nome do PSOL hoje, o deputado eleito Guilherme Boulos (SP) chegou a sinalizar que gostaria de ser o titular do Ministério da Cidades, sem sucesso. Depois, disse que assumiria sua vaga na Câmara federal. Uma resolução aprovada pelo próprio partido na semana passada dificulta o ingresso de seus integrantes, como Boulos, na próxima administração federal. 

Na ocasião, por maioria, a sigla decidiu formalizar o apoio ao governo Lula e definiu que não vai indicar ninguém ao primeiro escalão do petista. A medida, contudo, define que eventuais ministros têm de se afastar de cargos no partido.

— Hoje, nós temos a perspectiva pelo nome da Sônia Guajajara para o ministério dos Povos Indígenas — limitou-se a dizer Boulos.

Quadro histórico do partido, o deputado federal Ivan Valente (SP) admite, no entanto, que a demora na nomeação de Guajajara não está sendo bem digerida por parte dos membros do PSOL. O parlamentar votou contra a resolução em que a sigla abriu mão de pleitear a participação no governo, embora reconheça que se trata de um posicionamento legítimo, referendado pela maioria:

— O caso da Guajajara, a própria resolução deixa claro que é diferente. Certamente, a demora está causando incômodo. Lula disse que o Ministério dos Povos Indígenas ficará com um indígena.

Na opinião do deputado paulista, Lula também já deveria ter oficializado Marina Silva como ministra do Meio Ambiente e, de modo geral, olhado com mais atenção para partidos de esquerda.

— O governo de transição deveria ter andado mais rapidamente para contemplar os aliados de primeira hora.

A reportagem apurou que o fato de Lula já ter agraciado o PCdoB com um ministério, ao anunciar Luciana Santos para a Ciência e Tecnologia, não foi bem recebido entre personagens de partidos de esquerda que ainda esperam ser contemplados.

Paciência

Histórico integrante de governos petistas, o PDT também ainda não ganhou espaço, mas evita questionamentos públicos. O discurso é de que a legenda não pode pleitear os primeiros lugares da fila de ministeriáveis, visto que só declarou apoio à candidatura de Lula no segundo turno. O partido lançou à presidência o ex-ministro Ciro Gomes, que terminou a corrida na frustrante quarta posição e teve embate agressivo com Lula durante toda a campanha.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, evita falar em insatisfação. Ele é cauteloso ao analisar a possibilidade de ocupar cargos na Esplanada a partir do mês que vem.

— Estamos aguardando a palavra do presidente Lula. Naturalmente, ele acomodou quem o apoiou no primeiro turno, desde a primeira hora. Não temos direito de exigir, nos cabe aguardar o que ele propõe — despista o brizolista.

Até a sexta-feira, a Rede fazia parte do time das legendas que ainda seguiam sem um aceno de Lula para ocupar um lugar na Esplanada em 2023 até que o presidente eleito convidou Marina Silva para ser titular do Ministério do Meio Ambiente, função que ela provavelmente aceitará. Nos últimos dias, ela ficou no centro dos debates travados pelo petista. 

Principal nome cotado para voltar à pasta ambiental, Marina também foi sondada para assumir a Autoridade Climática, um órgão que será criado na nova administração, mas não aceitou. Nesse cenário, o Meio Ambiente seria entregue à senadora do MDB Simone Tebet (MS), candidata que terminou a corrida à Presidência em outubro em terceiro lugar, mas que agora optou pelo Planejamento.

Na última quinta-feira, Lula anunciou mmais 16 ministros do seu futuro governo. Até agora, há 21 nomes do primeiro escalão já conhecidos. Pelo planejamento anunciado pelo grupo de transição, restam 16 vagas para formar o primeiro escalão. Nos próximos dias, o petista deve intensificar as conversas com agremiações de centro, como União Brasil, MDB e PSD.

Moraes proíbe porte de armas no DF até depois da posse

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o porte de armas no Distrito Federal no período da posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A restrição vale a partir das 18h quarta-feira, 28, até 2 de janeiro. Quem descumprir a decisão será preso em flagrante por porte ilegal de armas.A exceção é para membros das Forças Armadas, do Sistema Único de Segurança Pública, das Polícias Legislativa e Judicial e para empresas de segurança privada e de transporte de valores.Moraes disse que a medida é necessária para “evitar situações de violência armada” e para garantir a segurança de Lula, do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) e de “milhares de pessoas” que devem acompanhar a cerimônia. A equipe de transição espera um público de 300 mil pessoas. “Estão presentes a proporcionalidade, Justiça e adequação entre os meios necessários a serem utilizados pelo Poder Público, no exercício de sua atividade de garantidor da segurança pública e da Democracia”, escreveu.A decisão cita a ação de “grupos extremistas financiados por empresários inescrupulosos” que, segundo Moraes, têm “explorado criminosa e fraudulentamente a boa-fé” dos eleitores. O ministro também sinalizou que a “conivência” e a “omissão” de autoridades públicas diante de atos antidemocráticos serão investigadas.Moraes atendeu a um pedido da equipe de transição. O requerimento foi feito pelo delegado Andrei Passos Rodrigues, coordenador da segurança de Lula e futuro diretor-geral da Polícia Federal (PF).A equipe do petista está atenta a possíveis episódios de violência no dia posse. Nas duas últimas semanas, bolsonaristas organizaram dois atos de grande repercussão para chamar atenção para suas manifestações, que têm pregado um golpe das Forças Armadas contra o governo de Lula. 

Bolsonaro viaja aos EUA para não passar faixa ao petista

A três dias do fim de seu mandato, o presidente Jair Bolsonaro despede-se antecipadamente do País. Bolsonaro viajará nos próximos dias aos Estados Unidos e deverá passar a virada do ano recolhido em um condomínio-resort na região de Orlando, na Flórida.

Aliados de Bolsonaro disseram que o presidente avaliava fazer, antes de decolar, um pronunciamento à nação, ainda incerto. Embora alguns defendessem que ele falasse pela última vez como presidente da República, após a inédita derrota eleitoral no cargo, Bolsonaro foi aconselhado a abortar a ideia, por causa do risco jurídico de incendiar manifestações de extremistas.

Um conselheiro próximo e amigo do presidente avalia que Bolsonaro perdeu o timing e que agora seria melhor deixar para mandar mensagens a seus apoiadores após a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo ele, o discurso do presidente pode lhe trazer problemas com a Justiça, se provocar uma mobilização ainda maior de bolsonaristas que contestam a eleição de Lula e cobram um golpe de Estado – parte deles envolveu-se em tentativas de provocar explosões que vem sendo caracterizadas como atos de terrorismo por autoridades do governo do Distrito Federal e ministros de Lula.

Na viagem, o presidente não deve ser acompanhado da primeira-dama Michelle Bolsonaro. Nesta terça-feira, a filha do casal, Laura Bolsonaro, fazia compras normalmente num shopping de Brasília.

Bolsonaro também nomeou os oito servidores a quem tem direito na sua equipe de ex-presidente, com salários custeados pela União. Entre eles, estão militares e atuais assessores na Presidência da República.

Bolsonaro deve usar o avião presidencial. A previsão é que ele se hospede em um condomínio fechado, onde o ex-presidente norte-americano Donald Trump também possui uma casa.

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