Brasil

Passaporte de Eliza Samudio é anterior ao nascimento do filho

Redação DM

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 11:24 | Atualizado há 5 meses

O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, em Portugal, informou que recebeu um passaporte antigo em nome de Eliza Samudio, encontrada em um apartamento na cidade europeia e entregue ao órgão diplomático no início de janeiro. A confirmação foi feita por meio de nota oficial enviada ao Ministério das Relações Exteriores, também conhecido como Itamaraty.

O documento foi localizado por um homem que mora no imóvel alugado com a família e mais outras pessoas. Segundo relatos, ele encontrou o passaporte entre livros em uma estante, o que gerou surpresa devido à relação dele com o caso que marcou a história criminal brasileira. Após a descoberta, o morador comunicou as autoridades e entregou o documento ao consulado brasileiro em Lisboa.

Na nota oficial, o consulado informou que já comunicou o Itamaraty sobre o recebimento do passaporte de Eliza Samudio e que agora aguarda instruções de Brasília sobre os próximos passos a serem tomados. O órgão ressaltou que a atuação está limitada à recepção e guarda do documento, cabendo ao governo federal decidir como proceder.

O passaporte tem data de expedição anterior ao extravio e consta apenas um carimbo de entrada em Portugal, sem registro de saída formal, o que havia levantado questionamentos sobre como ele foi levado e mantido no país europeu ao longo dos anos.

Eliza Samudio foi morta em 2010 em um crime que envolveu o ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado pelo homicídio e outros crimes relacionados. Mesmo após mais de 15 anos, o corpo de Eliza nunca foi encontrado, e a descoberta do passaporte reacendeu discussões e especulações na mídia e nas redes sociais.

O consulado disse ainda que seguirá as orientações do Itamaraty assim que forem recebidas e que o papel da representação diplomática é apenas cumprir as determinações vindas de Brasília em relação ao documento encontrado em Lisboa.

O carimbo de entrada de 2007 não significa, por si só, que Eliza esteve em Portugal naquele ano além do que o documento registra. Passaportes podem receber carimbos quando a pessoa entra em um país, mas se o documento foi posteriormente perdido, extraviado ou substituído por outro, não haveria registro de saída no próprio passaporte. Isso pode ocorrer quando o viajante usa uma autorização de retorno ou quando o documento é recolhido pelas autoridades locais no momento da saída.

No caso específico de Eliza Samudio, documentos oficiais indicam que ela deixou Portugal em novembro de 2007 por meio de uma autorização especial de retorno ao Brasil, que funciona como substituto temporário de passaporte quando o original não está disponível ao viajante. Essa autorização foi recolhida pela Polícia Federal no aeroporto quando ela retornou ao país. Dessa forma, o carimbo de entrada em 2007 registrado no passaporte não contradiz a cronologia oficial de sua vida.

Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010 e, posteriormente, foi considerada morta em um caso que ganhou grande repercussão no Brasil. Seu corpo nunca foi encontrado e o ex-goleiro Bruno Fernandes foi condenado pela Justiça por homicídio e outros crimes relacionados ao caso. O filho do casal nasceu em fevereiro de 2010 e foi encontrado poucos meses após o desaparecimento da mãe.

Mesmo com a localização do passaporte, não há nenhuma evidência de que Eliza tenha retornado à Europa após a data de validade do documento e nem que ela estivesse viva após 2010. A descoberta causou embates entre internautas e trouxe novamente o interesse público no caso.


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