Brasil

Patamares que sobem e descem

Redação DM

Publicado em 22 de agosto de 2015 às 22:46 | Atualizado há 11 anos

Por mais difícil seja a vida, de modo algum ela pode nos ensombrar a alma de tristeza. Ah, mas que engano! Dirá alguém. É… Depende! Depende da pessoa… Quem trás a alma cheia de restrições com a pretensão de pensar saber em que aceitar e em que rejeitar no que deve acreditar, e no que não deve crer, pode ser o maior douto ou sábio do mundo que, obviamente, vai padecer. Pode ser que não chore. Mas sofre.

A perda de ente querido geralmente é o que mais nos faz sofrer. Quem não sofre pelo retorno de um (a) filho (a) à Pátria Espiritual? Todos, sofremos. Mas, o que fazer? A morte faz parte da vida. E padecer é sinônimo de desenvolver. E ninguém está pelas paragens do mundo a pretexto de um passeio turístico ou simples explosão anacrônica. Tem que haver um sentido mais útil e mais sério para merecer estar nesta passagem pelo orbe, porque ela é temporária, porém, lágrimas, sorrisos, etc. com uma finalidade além de simples prazeres, passeios, alegria, festas, comemorações, diversões.

É bonita e excessivamente maravilhosa apenas para se ter uma breve passagem por aqui. Tem que ter um significado maior do que imaginam os gênios, sábios, santos e sacerdotes, inclusive os tolos, falastrões. Mais falam do que pensam. Atropelam-se com palavrinhas, como ensinar suas restritas reflexões, principalmente àqueles que, num livro só, fazem um curso de santo em seis meses?

Pode-se chorar que não faz mal; alivia a alma; acalma o coração.

Pode-se entristecer, porque ninguém se livra do sofrimento num local onde somente gera quase que padecimentos gerais.

No entanto, fazer daqui um purgatório, considerando aborrecimento tudo o que ouve, experimenta, sofre, é fraqueza difícil de conduzir por esses ásperos caminhos experimentais.

Nem o filósofo René Descartes, ou o pai do otimismo Auguste Comte; o tal Voltaire, aclamado pai do esclarecimento e da tolerância, iriam viver esbanjando euforia o dia inteiro. Tiveram seus momentos de dissabores, perseguições, perigos, mas mantiveram o otimismo à frente dos seus percalços e dificuldades.

Viva o seu momento chamado agora, seja fácil ou difícil — mas viva-o com natural aceitação. Agora, o instante pode estar amargo. Daqui a pouco pode estar venturoso.

Assim nos ensina a natureza. Sempre renovando o que nos refaz e nos alegra.

Ora é o sol que chega e aquece o frio do tempo ou o frio da decrepitude do homem nos seus momentos frágeis.

Ora a amenidade da brisa que nos favorece o fervor da alma, atribulada pelos instantes amargos.

A vida é instante único (cada encarnação) de se melhorar de alguma forma.

Segue em frente, na certeza de que não será esquecido nem abandonado pelas forças maiores provindas do misterioso e infinito universo, que é a notável geratriz da vida.

Vida é glória, mesmo no fracasso, porque, este, é patamar que sobe.

E pessimismo, ódio, lamento são patamares que descem.

Contam que quando François Voltaire morreu, seu espírito foi evocado pelo professor Hipolyte Leon Denizard Rivail, o Allan Kardec, e frente um ao outro, este indagou àquele:

— E então, Mestre, o senhor dizia que a morte era o final de tudo. Agora que se encontra do lado real da existência, o que tem a dizer?

François Marie Arouet teria sorrido e reafirmado sua nova convicção, dizendo que, para acertar seu equívoco, logo teria que “Voltaire”…

Afirmando:

— “Se penso, logo existo”.

 

(Iron Junqueira, escritor)

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