Brasil

PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crimes contra sistema financeiro

Léo Carvalho

Publicado em 29 de outubro de 2026 às 10:38 | Atualizado há 55 minutos

Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino são investigados pela PF em inquérito sigiloso relacionado à OnilX | Foto: Marcelo Camargo
Paulo Guedes e o empresário Fábio Lino são investigados pela PF em inquérito sigiloso relacionado à OnilX | Foto: Marcelo Camargo

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes, que comandou a equipe econômica durante o governo Jair Bolsonaro (PL), está na mira de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da empresa OnilX, também figura entre os investigados.

A apuração tramita sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, no Paraná. O inquérito foi aberto em 10 de fevereiro de 2026 e envolve suspeitas relacionadas à legislação que trata dos crimes contra o sistema financeiro. As informações sobre o caso foram divulgadas pelo portal Metrópoles, a partir de documentos judiciais.

A investigação ocorre em meio a questionamentos sobre a atuação da OnilX no mercado de ativos digitais. A empresa enfrenta processos movidos por investidores que afirmam ter dificuldades para recuperar os recursos aplicados em produtos ligados a criptomoedas e stablecoins.

A ligação de Guedes com a OnilX envolve prestação de consultoria, participação em reuniões estratégicas e encontros com potenciais investidores. A empresa também utilizou a imagem do ex-ministro em materiais de divulgação.

Em uma publicação da própria companhia, Guedes aparece ao lado de Fábio Lino e de executivos da Visa em uma reunião apresentada como estratégica. O economista foi descrito pela empresa como alguém que contribuía com orientação e visão para os negócios.

O ex-ministro também participou de eventos voltados a investidores e assessores da companhia. Em uma dessas ocasiões, diante de uma plateia de aproximadamente 500 pessoas, elogiou a atuação da empresa e destacou sua importância no desenvolvimento do mercado digital.

A participação de Guedes na companhia passou a aparecer também em ações judiciais movidas por clientes. Em um dos processos, um casal cobra R$ 876,5 mil da OnilX e afirma ter mantido e ampliado os investimentos após participar de uma reunião com o ex-ministro na sede da empresa, em abril.

Segundo o relato apresentado à Justiça, os investidores tentaram recuperar os recursos quatro meses depois, mas não conseguiram concluir o resgate.

Em outro processo, uma assessora da empresa teria mencionado a presença de Guedes na estrutura do negócio ao tentar atrair um potencial investidor. Uma mensagem anexada aos autos indicava a possibilidade de marcar uma reunião com o economista para discutir estratégias financeiras, caso o interessado dispusesse de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões para aplicar.

As alegações apresentadas pelos investidores fazem parte de processos judiciais e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos investigados.

A OnilX também entrou no radar da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado de valores mobiliários no Brasil.

Em janeiro de 2026, a autarquia determinou a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários realizadas pelo grupo. Em abril, o colegiado manteve a determinação e esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e USDT, quando não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.

A empresa passou a enfrentar uma série de disputas judiciais. Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações contra o grupo, segundo o levantamento publicado pelo Metrópoles.

Nos processos, investidores relatam dificuldades para retirar valores aplicados em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins. Alguns também levantam suspeitas de funcionamento de um esquema de pirâmide financeira.

A OnilX nega as acusações e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais.

Os registros judiciais indicam que a investigação teve movimentações ao longo de 2026. Em 21 de setembro, houve despacho judicial e expedição de intimações relacionadas a Fábio Lino, à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal (MPF).

Em outubro, o processo continuou a registrar petições e diligências policiais. Como o inquérito tramita sob sigilo, não há informações públicas suficientes para detalhar todas as medidas adotadas nem estabelecer a conduta atribuída individualmente a cada investigado.

Paulo Guedes é representado pelos advogados Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que também atuam na defesa de Fábio Lino. Segundo a reportagem original, a defesa não respondeu aos contatos feitos pela publicação até o fechamento do texto.

A investigação não equivale a uma condenação. A eventual responsabilidade dos envolvidos dependerá da apuração dos fatos e das decisões das autoridades competentes.


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