Brasil

Poder é posse

Redação DM

Publicado em 30 de junho de 2016 às 21:39 | Atualizado há 10 anos

Originado do Latim “possum” que tem sua singularidade “de ser capaz de” o termo é aplicado em múltiplas circunstâncias e em inúmeras ocasiões.

Na política, o poder exerce o papel de impor, e isso ocorre quando o poder é legitimado e sancionado como executor da ordem estabelecida, irmana com o princípio da autoridade, diferente do poder fundado em revoluções ou em ditaduras.  Entretanto, é importante salientar que onde existe relações de poder, coexiste a política.

Umbilicalmente, o poder mantém uma relação simétrica com o sentido de posse, igualmente originado do latim “possessio”, que provem de “potis” radical de “potesta”, e “sessio” da mesma origem de sedere significa estar firme, assentado.

Indica, portanto um poder que se prende à uma coisa.

No Brasil o poder exerce o sentido de posse. Figuras quase centenárias se mantém na política, em cargos eletivos ou não, como se fossem possuidores de tais prerrogativas, pois somos um país de oligarquias fortes patrimonialistas.

O princípio deste conceito de posse está ligado à ganância, onde se costuma fazer qualquer coisa para a obtenção da posse, ou seja, do poder.

O apego desmensurado pela posse do poder pode ser diagnosticado como doença patológica de caráter, ético e moral.

Em, “O príncipe” – obra de Florentino Maquiavel considerada a primeira conceituação da política moderna -, diz: “As pessoas esquecem a morte do pai mais depressa do que a perda do patrimônio”.

Esses efeitos entre poder e posse origina uma espécie de encantamento, um estilo de existência dos quais muitos dedicam suas vidas, uma vez que, são incapazes de sobreviverem sem esse jogo.

A sedução do poder como posse é deformador da política como ciência de aprimoramento social, cultural, filosófico, sociológico e econômico.

Segundo o grande Primeiro-Ministro Inglês Winston Churchill, arquiteto da vitória das forças aliadas contra o Nazi-fascismo da Segunda Guerra Mundial-, proferiu “a política é quase tão excitante como a guerra, e não menos perigosa. Na guerra só pode ser morto uma vez, mas, na política, diversas vezes”.

Isso devido à obstinação pelo poder e pela posse que é altamente sedutora, muito pelas tramas, pelo jogo do que pelas virtudes, que deveriam orientar as ações dos que exercitam essa atividade.

De fato, as afirmações de Winston Churchill são precisas na medida que muitos conseguem morrer e renascer na política como ervas daninhas que contaminam os parlamentos e poderes mundo afora.

No Brasil, muitos destes patológicos enfermos continuam perpetuados na ação de nosso atraso cultural, social e econômico devido ao apego da posse do poder.

Basta verificar nos escândalos diários a frequência que muitos parlamentares aparecem como figuras incansáveis da espoliação do patrimônio de nosso povo.

Afinal, para eles poder é posse e posse é poder.

 

(Henrique Matthiesen, bacharel em Direito)


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