Brasil

Pressões fizeram Paulo demitir Paulo?

Redação DM

Publicado em 13 de janeiro de 2016 às 21:45 | Atualizado há 11 anos

Para comprovar o ditado popular de que “alegria de pobre dura pouco”, foi curta a permanência do ético Paulo César Pereira, como Secretário titular da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação da Prefeitura de Goiânia. Responsável e consciente, ele representava a certeza de que grupelhos irresponsáveis não iriam assassinar o que ainda resta de qualidade de vida na capital para atender à insaciável sede de lucro. Fiquei impressionado com a lucidez dele ao analisar o planejamento de Goiânia. Mostrou-se disposto ao diálogo sério, sem menosprezar os alertas da oposição e de técnicos especializados.

Na linguagem do povo, um profissional “sem rabo preso com ninguém”, acredita nas boas intenções de um gestor. César atendeu ao pedido do prefeito Paulo Garcia para assumir a Secretaria, certo de que seria possível realizar um trabalho competente, sem interferência do “lobby” que desfigurou as entranhas urbanas e que transformou as ruas da cidade em um inferno.  Hoje não existe um único bairro capaz de atender quem procura sossego. Tarefa possível apenas nos dispendiosos condomínios fechados.

Ao que consta, supõe-se que essa firmeza de propósitos não foi bem digerida por graúdos, acostumados a mandar no município e, antes que seus interesses fossem contrariados, não só exigiram sua pronta demissão, como apresentaram um substituto de fé.         Segundo informações de fontes confiáveis, inclusive de profissionais que atuam na Seplan, a tese faz muito sentido, considerando que Paulo César estava realizando um trabalho excepcional. Dedicado ao extremo e leal ao prefeito, César foi considerado um petista, no estilo histórico, que consagrou o Partido dos Trabalhadores.

A inesperada demissão é intrigante. O substituto, o advogado Sebastião Ferreira Leite, mais conhecido como Juruna, é íntimo dos setores que supostamente teriam exigido a saída de César. O fato que causa susto é que Juruna foi advogado das mais expressivas empresas que mantêm interesse na expansão urbana. Obviamente que isto não faz dele um irresponsável que não terá escrúpulos em destruir as áreas verdes ou manipular condições.  Claro que não!

Juruna coleciona tanto admiradores confessos quanto adversários renitentes. Já “bateu de frente” com membros da Universidade Federal e se agastou com a Associação Verde Vale. Ambas defendem com unhas e dentes o último bolsão verde da região Sudoeste devido suas amplas áreas de preservação permanente – tão cobiçadas pelos empreendedores imobiliários.           Em sua defesa, constata-se que Juruna teve papel importante ao convencer Lourival Louza a criar o Parque Flamboyant e outras ações em prol do meio ambiente. O tempo dirá se é ou não uma injustiça as suspeitas e indagações que pairam sobre sua admissão. É importante reconhecer que Juruna conhece a cidade como poucos, sendo um diplomata que aceita o diálogo e não foge da imprensa. Qualidades raras em muitos que assumem posições de destaque no governo.

Evidentemente é preciso considerar também que Paulo Garcia não é dado a ceder por coação. Tanto que alguns de seus colaboradores continuam na prefeitura, apesar da chiadeira geral. A alegação do prefeito é que, mesmo sendo capaz, faltava a Paulo César maior agilidade na resolução de assuntos pendentes – pode ser.

Pessoalmente, não acredito que o nobre advogado Sebastião Ferreira Leite vá manchar seu histórico em uma cartada de último ano de governo. Urge acompanhar a sua atuação com rigor, mas sem preconceito e com senso de justiça.  Se ontem ele defendeu empresas poderosas, hoje é um advogado a serviço de milhões de contribuintes. Pode ser um trunfo a favor do cidadão. Vamos acreditar!  Apenas uma ressalva necessária: Juruna afirmou em entrevista recente que “é preciso desfazer alguns mitos em Goiânia, entre eles, o de que existe especulação imobiliária na cidade” – essa é de doer e menospreza a inteligência do cidadão. Menos Secretário, menos!

Rozenwal Ferreira, jornalista


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