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Proust e a imortalidade que só a grande literatura constrói

Redação DM

Publicado em 2 de maio de 2022 às 11:51 | Atualizado há 4 anos

O doutor Adrien Proust e seu filho mais novo, Robert Emile Proust, foram dois médicos de grande respeito na Europa anterior a Paris da Belle Époque.

Doutor Adrien tornou-se um dos maiores especialistas do seu tempo em saúde pública. Foi ele o principal médico responsável pela erradicação da cólera em toda Europa. Reconhecido entre seus pares, seja como clínico, seja como pesquisador, na academia, esse cientista deixou publicado seis livros ,que se tornaram referência entre os mais renomados médicos, especializados em saúde pública do mundo. Posto isso, falemos de um dos dois filhos do doutor Adrien, o Roberto Emile Proust.

Esse seguiu o mesmo caminho do pai médico, numa área diferente de seu progenitor: Urologia e Ginecologia. Tal como o pai, doutor Robert Proust tornou-se um respeitado especialista em sua área de atuação profissional.

A fama de Adrien e Robert não se compara àquela adquirida pelo outro filho mais velho do doutor Adrien,o Marcel Proust. Ele, na condição de escritor, publicou uma obra absolutamente universal. Falo de “Em Busca do Tempo Perdido”. Essa obra é, ao lado de “Ulisses” ,de Joice, os dois mais importantes romances do século vinte.

O fato de Proust ter sido obrigado a conviver com a doença de asma levou-o a passar longos períodos de férias na aldeia de Illiers. Essas recordações da infância perdida aliadas às lembranças da casa do seu-avô , em Auteil, no interior da França, foram decisivas para esse genial escritor criasse a fictícia cidade de Combray.A partir daí, o escritor, por meio de amigos influentes,conseguiu ter acesso a bastantes materiais suficientes para retratar as relações dos bens nascidos em sua obra-prima.

Outro dia, um amigo perguntou-me por que é necessário ler Proust. Respondi a ele que minha experiência, com esse autor, vem da autotransformação que a leitura de “Em Busca do Tempo Perdido” provocou em mim no momento em que conclui as quase três mil páginas do romance e que me demandou cinco meses de leitura, já que esse livro é a obra literária mais extensa da literatura mundial.

Foi, nesse momento, que aprendi a enxergar, com outros olhos os enigmas de uma obra de arte. Antes de ler tal romance eu enxergava, sem entender, os subterrâneos de uma obra prima como a Monalisa de Leonardo da Vinci. Anos mais tarde, ao retornar a Paris, revisitei o quadro da Monalisa, exposto no Museu do Louvre. E ,lá, meu cérebro entendeu, por completo, o enigma daquele olhar.

Um outro ganho que tive com a leitura desse grande romance, foi a capacidade de me entender e isso acelerou minha cura psicanalítica.Eu poderia dizer que Proust exorcisou meus fantasmas. Depois de ler “Em Busca do Tempo Perdido” fui capaz de entender o fluxo de minha própria vida. E esse entendimento ajudou-me a ser mais leve, mais feliz.

Encerro este artigo, trazendo ,novamente , a família Proust, representada pelo pai, Adrien, e os filhos Robert Emile e Marcel. Comparando o destino dos três personagens, podemos entender o poder da imortalidade da literatura. Nesse sentido, é inegável o sucesso profissional do pai, do irmão mais novo e mais velho, o escritor Marcel.

Na lupa do tempo, poucos conhecem a trajetória do senhor Adrien e de seu filho Robert. Entretanto, a figura maior de Marcel Proust está sendo relembrada passados 150 anos de seu nascimento. O poder da imortalidade, só a grande literatura é capaz de construir.

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