Quanta orgia democracia cometem em seu nome?
Redação DM
Publicado em 13 de novembro de 2015 às 23:57 | Atualizado há 11 anosA grande conquista da abertura democrática foi, deveras, a liberdade plena de expressão, mormente da imprensa escrita, falada e televisionada, antes censurada. Liberta por meio dela, abertura veio à tona toda sorte de crimes comandados pelo extinto SNI – Serviço Nacional de Informações, que atuava, com poderes plenipotenciários, impunemente, auxiliado pelo DOI – COI, com plena liberdade de ação, intrometia-se onde bem queria, intimidando quem não rezasse na sua cartilha. A perseguição, tortura oficial, comandada sem freio por ele, tanta força tinha que conseguiu eleger, embora de forma indireta, o último presidente da república, no regime militar. Ficou tão antipatizado que ao ser extinto, seus elementos, elementos de proa, tanto da área militar, como civil, ficaram perdidos no ermo sem termo, sem saber para onde ir, pois, os órgãos de origem, instituições onde trabalhavam antes, não quiseram recebê-los de volta, de certa forma, purgaram parte de seus pecados, pecados cometidos atrás da moita, fazendo seus caprichos mesquinhos acontecer, por meio de pressão, intimidação das instituições.
A abertura democrática, de certo modo, libertou o País daquele pesadelo, de certo modo porque no lugar da tortura oficial, brotou e agigantou-se outra, nas barbas dos sucessivos governos do muda Brasil, governos, na realidade, de meia tigela, porquanto, o banditismo, crime organizado, passou a praticar, à luz do sol, assaltos relâmpagos, sequestros, cárceres privados com tortura, colocando a sociedade, antes pasma, com a tortura oficial, agora, prisioneira do banditismo, despertando a síndrome do medo, insegurança nossa de cada dia.
Com efeito, as famílias, mormente, das metrópoles vivem enjauladas, enquanto gatunos pululam à solta, à espreita do próximo assalto, furto nas residências, arrombamento de apartamentos, explosão de caixas eletrônicos, assalto a caminhões nas estradas, caminhoneiros amarrados e amordaçados nos matagais, perdidos no ermo. Não é sem razão que a revista britânica de conceito internacional: The Economist classificou nosso país como o mais violento do terceiro mundo, para consolar, também, na América, mas a do Norte, os Estados Unidos, o mais violento do primeiro mundo. Este descrédito aumenta, mais ainda, com o PIB abaixo de zero, a crise econômica desencadeada por sucessivos governantes, mormente os que levaram o país à inflação, redistribuidora de rendas as avessas, crise financeira, recessão: Jose Sarney, Collor de melo, e, por último, a dupla, Luis Inácio Lula e Dilma, o Lula preparou o atoleiro e a presidenta Dilma, atolou-o até o pescoço.
Como tirá-lo? A tarefa é do alto escalão da área econômica, porém a conta, desembolso financeiro, você terá que efetuar, pagar, leitor contribuinte de impostos. Houvesse zelo, parcimônia, transparência, na administração pública, da parte dos gestores contratados pelo voto, no município, estado e nacional, a crise seria menor, o sacrifício da sociedade contribuinte, menos doloroso, todavia, isto só irá acontecer, com sua politização tornando-se engajado no controle externo, das contas públicas, partícipe, feitor, de sua própria história.
Quando isto acontecerá? Quando você de forma natural, pacífica, mas, com certa sapiência tirar o tapete aveludado de toda sorte de representantes da área legislativa, caçando o direito que você, imperceptivelmente, delegou a eles, mesmo, o direito descabido, imoral, de legislar em causa própria. Escabrosa regalia, imoral, vem desde o Império, com o parlamentarismo imperial, passou ilesa, com a proclamação da república, singrou pela velha república, a sociedade vítima da educação, nela, sem o mínimo conhecimento da política, como arte de promover o seu bem-estar. Assim, às regras, para o seu bom funcionamento, mourejaram esquecidas, ou tapeadas, por sucessivos governos. De modo que, a república proclamada, mundo afora, usurpou, a principio, porque o imenso vazio populacional inviabilizava a forma direta de democracia, agora, como já dito, em outro artigo, por conveniência, corporativismo, tudo tramando contra a devolução da vontade geral, vontade esta, exclusiva do legítimo dono, o eleitor.
A diferença entre o modelo direto e o atual indireto, é tamanha, que promovera verdadeira mudança de paradigma, mudança para o bem da sociedade, pois, ensejará, pelo seu próprio valor, maneira de ser, alegria, afã incontido da parte de seus legítimos proprietários, na medida em que passarem a exercitar seu papel, sentir na alma sua importância, como construtor de sua própria história, seu papel em grupo e real valor na tomada de decisões ora delegadas, ao Poder Legislativo. A mais nobre das vontades, a vontade geral, de sublime poder, avassaladora, por retirar o voto da condição subserviente-leniente, para a de consciente-independente, altivo, cívico, capaz de premiar os bons e punir os maus gestores públicos.
Com esta arma eleitor, a mais poderosa do sistema democrático, você terá condições de acabar com toda essa orgia pública, nos poderes Legislativo e Executivo, as suas expensas, na mais alta esfera administrativa da nação. O ex-presidente Nixon renunciou nos Estados Unidos, para não ser cassado, qual foi o motivo ou escândalo? Não se tratava de nenhuma roubalheira na esfera pública, mas espionagem de seus assessores ao partido oposto, o partido democrata. De igual forma, o ex-presidente Bill Clinton, quase foi cassado por envolvimento amoroso extraconjugal, quando exercia a Presidência da República.
Em nosso país arrasta-se verdadeira orgia, com o dinheiro público, envolvendo bilhões de reais, abarcando dezenas de deputados, senadores, ministros, presidentes do PT e os dois últimos presidentes da república, pasme leitor! Embora o tamanho do escândalo financeiro, ambos alegam não saber de nada. Entretanto, confessou recentemente, o ex-presidente Lula, que conhecia, durante a campanha eleitoral, a situação caótica das finanças públicas, nem por isto, denunciou a orgia de dinheiro público na campanha nababesca de seu partido, nela as pedaladas, para eleger a sua candidata. Verbas e mais verbas do “Petrolão”, alegam os figurões da patota no poder pelo poder, que foi tudo legal, todavia na origem, ilegal, porquanto “propinadas’ da maior estatal do país, a Petrobras.
A orgia é tamanha que reduziu a 7%, a popularidade da presidenta, perdendo tamanha regalia, perdeu também prestígio político, poder de barganha, negociação, para promover o ajuste fiscal, ora, perdido no labirinto da burocracia, quanto mais perdura a contemporização, deixa como está para ver como fica mais demora na retomada do crescimento econômico, maior o tamanho da conta, para sociedade contribuinte pagar.
Convém ressaltar que a nossa dívida pública interna ultrapassa os dois trilhões e seiscentos bilhões de reais, e, enquanto o estado remunera os credores da dívida em 14% ao ano, empresta via BNDES, a 6%, também ao ano. Este descalabro e os outros tornam, a cada dia, mais difícil o reajuste do ajuste fiscal, equilíbrio de contas. Fosse o sistema parlamentarista já teria havido renúncia, substituição do primeiro ministro e, quem sabe, o ajuste, reforma econômica realizada, e, assim, a retomada do crescimento.
Embora toda a trama urdida, mutretas de seus inimigos, inimigos da democracia, mesmo assim, leitor, constitui a melhor forma de governo do mundo, pois é a única que permite, de modo pacífico, sem violência, a substituição de um governo por outro, através do voto secreto, no entanto, volto à tona, a maior mudança de paradigma, ora imperativa, é a substituição do voto subserviente-leniente, pelo voto consciente-excelente, possível com a devolução da volta da vontade geral aos seus legítimos donos, os eleitores, formação obrigatória da consciência política, nas salas de aulas. Faça corrente leitor, forme opinião, contra as urgias públicas, ora, roubando o bem-estar de nossa gente e outros crimes hediondos, ofuscando a imagem interna e externa, de nossa democracia.
(Josias Luiz Guimarães, veterinário pela UFMG, pós-graduado em filosofia política pela PUC-GO, produtor rural)