Brasil

Quem vai avisar a presidente afastada?

Redação DM

Publicado em 24 de maio de 2016 às 02:46 | Atualizado há 10 anos

Faria bem ao País que alguém de mais coragem avisasse à presidente afastada que o governo dela  já acabou. Mesmo que por um milagre supremo – e não é bom duvidar, pois eles existem- ela conseguisse reverter o quadro e vencer a batalha do impeachment, de nada adiantaria reassumir a presidência para exercer mais dois anos de mandato. Politicamente, o governo Dilma acabou. “Mas não podemos nos esquecer dos milagres”, dirão os mais ligados à presidente. É verdade, mas eles têm um preço muito elevado e talvez melhor não será pagá-lo. É até possível chegar-se aos preços cobrados que, certamente, serão reajustados a cada dificuldade. E elas serão muitas, e ainda mais serão se insistirem, a presidente e seus aliados por interesse ou não, em radicalizar o processo. Em sair por aí acusando a todos de golpe. É com quem acusa de golpista agora que Dilma precisa contar para reverter o processo e para, se conseguir, governar depois. Se tem mesmo esperança em vencer esta batalha. Se pretende mesmo resistir, como diz sempre que encontra um palanque, Dilma precisa mudar o discurso. O atual serve apenas para os já convertidos pois não consegue conquistar mais ninguém. A primeira aparição de Dilma como afastada, em Belo Horizonte, num encontro  do “exército de Brancaleone” formado por blogueiros amigos, deixou claro que a tarefa de angariar apoio popular para encurralar congressistas não vai funcionar. Foram poucos, embora os organizadores falem em 40 mil [a PM fala em mil] os que foram lá gritar “volta querida”. Com certeza um número inferior aos dos petistas mineiros alojados no governo dela e do governador Pimentel.  Não se pode negar à presidente afastada o sonho de retornar. A obstinação, que é uma virtude quando não levada à inconsequência, parece ser uma marca de Dilma. Então que ela lute, mais lute com as armas corretas, no campo jurídico e no campo político.  O alvo do convencimento precisa ser mudado. Dilma não pode continuar pensando que aquilo que chama de “movimentos sociais” vão recolocá-la no poder. Não vão. Pelo menos enquanto as nossas instituições, apesar de tudo estiverem funcionando.

 

(Paulo César de Oliveira, jornalista e diretor-geral das revistas Viver Brasil e Robb Report)

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