Salviano, o preguiçoso
Redação DM
Publicado em 17 de dezembro de 2015 às 22:08 | Atualizado há 11 anosO Salviano era um problema. Homem esclarecido, estudioso, jovem, forte, não se aliava, mesmo, com o trabalho. Teve a sorte de casar-se com excelente dona de casa, mulher muito esforçada e trabalhadeira, e acabou por viver às custas dela. Entregou-lhe o encargo de manter a casa, os filhos e a ele próprio. Não foram poucas as vezes que ela o aconselhou: – Encare a vida com mais seriedade, Salviano. Honre a existência com o suor do trabalho, ajude os filhos nos múltiplos aprendizados, identifique-se com a retidão, dê apoio à sua esposa, aqui. Abençoe a sua saúde, arranjando alguma coisa útil para fazer. Se não pretende mais voltar à sua profissão, pelo menos torne-se um colaborador na causa do Bem, servindo aos necessitados que não são poucos, plantando a felicidade no coração alheio, a fim de que possa, o mais breve possível, readquirir o tempo que perdeu.
– Ora, Cleusa! Essas coisas que você disse são certas. Mas só pretendo executá-las quando a juventude abandonar os meus dias. Por ora, acho que está tudo muito bem. – Você não sabe o dia de amanhã, Salviano – disse a mulher – quem espera a velhice para servir, quem sabe pode não encontrar condições de ser útil, no amanhã. – o que quer dizer com isso? Indagou o marido – penso que tudo pode acontecer. Se não aproveita o tempo de agora, quando as suas forças são robustas, o que poderá fazer mais tarde, se eu lhe faltar, ou se alguma infelicidade tolher todos os seus recursos de trabalhar?
Mas não adiantava. O preguiçoso do Salviano parece que nasceu mesmo cansado. Dava de ombros e saía sem nada dizer. Alguns anos se passaram e o folgazão começou a ficar preocupado: não estava se sentindo bem. Suas pernas e braços doíam insistentemente. A mulher levou-o ao médico: estava com trombose.
– Meu Deus! E agora? Era o espanto de Salviano. – Eu sempre lhe disse, querido – declarou a esposa – “ferramenta desocupada pega ferrugem e apodrece”… Braços desocupados também… E chorou, revoltada e aflita.
Reunindo muito trabalho e muita disposição aos remédios do médico, o marido de dona Cleusa acabou por ter a felicidade imensa de ver sua doença paralisada. Mas também nunca mais estacionou os braços, as pernas e as próprias forças. Agora trabalhava. E muito. Quando alcançou a velhice, muitos anos depois, percebeu que se tivesse esperado a ancianidade para lutar pela vida e colaborar na obra do Bem, não o poderia jamais, porque homem nenhum chega à velhice com sabedoria, experiência e humildade bastantes sem ter trabalhado muito, na mocidade…
Guerra Junqueiro: “O trabalho nasce espontaneamente da alegria, como um fruto que nasce espontaneamente duma flor.”
Há um adágio popular que diz: “Quem tem vergonha de trabalhar, tenha vergonha de comer.”
Fernando Soares: “O trabalho é o grande libertador do homem; só a ociosidade o escraviza.”
Santos Dumont: “Quando se trabalha não deve haver lugar para o esmorecimento.”
Getúlio Vargas: “O trabalho é o maior fator da elevação da dignidade humana.”
Adágio popular: “Deus é bom trabalhador. Mas gosta que o ajudemos.”
Jesus Cristo: “O meu Pai trabalha todo dia. E eu também.”
Quem não trabalha, atrapalha.
A preguiça é a maior indústria de doenças.
O que o trabalho constrói, a preguiça destrói.
(Iron Junqueira, escritor)