Sobre a covid-19
Redação DM
Publicado em 14 de dezembro de 2021 às 13:33 | Atualizado há 5 anos
Pretendia fosse esta a minha última crônica, ao escrevê-la há uns dias atrás. Explico-me: crônica sobre Covid-19. Não sobre pandemia, porque a peste sempre acompanhou a humanidade (ou, mais amplamente, o animal); e ouve-se falar que, provavelmente, ela vai se tornar mais frequente. É possível. Mas, ainda assim, sou otimista: “acho” que, pesados os malefícios e os benefícios decorrentes do “progresso”, sempre nos resta um saldo positivo. Imaginemos o estrago que uma Covid nos causaria há dois séculos: Covi-1819!
Segundo já vinha escutando dos muitos especialistas das diversas especialidades pertinentes, não nos livraremos de uma vez desta Covid, nem mesmo com a “terceira dose de vacina”, que já tomei. Ela nos perseguirá, intermitentemente, pelos próximos anos, variando-se de espécie para contornar a nossa imunidade; e então novas doses de vacina haveremos de tomar: quarta, quinta, sexta…Mas naqueles dias, estatisticamente, o Coronavírus parecia derrotado. Quando ouvíamos dizer que, “nas últimas 24 horas”, ele infectara menos de quinze mil brasileiros, e menos de trezentos foram mortos por ele – quando ouvíamos isto, tínhamos a impressão de que a guerra, se não vencida, estava em seus últimos dias; e já podíamos começar a nos retirarmos das trincheiras, guardar as armas e remover os escombros. Só quando sabíamos esta notícia de um amigo ou colega que há muitos anos não víamos: “Morreu de ‘complicações decorrentes da Covid-19’” – só então caía-nos uma nuvem espessa, e a pandemia voltava ao nosso horizonte.
E víamos que o inimigo permanecia em campo. E era impossível silenciarmos sobre ele.
Já se pensava no Carnaval que vem por aí, e se imaginava que a nossa vitória sobre o Coronavírus poderia ser tema de algum samba-canção…
Foi quando ouvi uma voz me advertindo: Chega de Covid-19. Já estamos no final do ano de 2021, e essa Covid é do ano 2019! Deixe-a para os historiadores. Ou melhor: jogue-a no lixo da História! E siga em frente!
Isto há uns dias.
Então, arrematei a crônica Sobre a Covid-19. Liguei a televisão… e vi um batalhão de repórteres, uma plêiade de epidemiologistas dizendo que já está entre nós, vinda da África do Sul, uma nova variante do Coronavírus, batizada por ômicron; e nada mais se pode dizer com certeza sobre a “nova cepa”.
Que direi eu, então, sobre a promessa que fiz a mim mesmo?