Brasil

Tributo do doutor Rodrigo Madeira

Redação DM

Publicado em 7 de dezembro de 2015 às 22:28 | Atualizado há 11 anos

No dia seguinte à sua saída da diretoria administrativa da Celg, escrevi um artigo de despedida. O artigo em questão refletia não só minha opinião, mas da imensa maioria dos funcionários da empresa. Falei em meu nome e no de inúmeros colegas que me solicitaram a justa homenagem. O sentimento era uma unanimidade em torno daquele profissional que é considerado por todos como o melhor diretor administrativo de todos os tempos da empresa: Rodrigo Madeira.

Ciente da unanimidade que ele representava para a comunidade celgueana, este escriba desejou expressar, em palavras, aquilo que todos os funcionários sentiam no coração. Pensávamos, na época, que ele nunca mais retornaria ao nosso convívio. Felizmente, estávamos equivocados, vez que tempos depois, voltou o ex-diretor administrativo a conviver conosco.

Quem estuda a administração, como ciência que ela é, bem sabe que conhecimento, visão de futuro e habilidade de lidar com pessoas para apontar rumos são qualidades inerentes ao indivíduo que intenciona gerenciar a área administrativa.Uma área tão sensível no trato com o sentimento das pessoas. Doutor Rodrigo tem essas qualidades.

Na liderança da área administrativa, ele foi capaz de empreender, modernizar e encantar pessoas. O reflexo se fazia notar no ambiente leve que se propagou para todos os cantos da empresa. Sua sólida formação acadêmica proporcionava segurança no apontamento de rumos. Seu carisma gerou uma sinergia entre os funcionários, que vestiam a camisa da empresa com aquilo que eleva a produtividade: o entusiasmo.

O exemplo do ex-diretor administrativo serve de parâmetro para evidenciarmos o reverso da questão: o quanto a falta de preparo acadêmico se reflete na falta de visão e na prepotência que esconde inseguranças provenientes da alma, torna-se uma erva daninha numa área que lida com os sentimentos das pessoas. Um ambiente antes sinérgico em qualquer que seja a empresa pode, de um dia para o outro, degradar-se. Nesse sentido, se o gestor não é bem-resolvido consigo mesmo, não será com os outros. A falta de preparo acadêmico também o impede de liderar trabalhos imaginativos. Ao agir assim, leva-se a administração para coisas comezinhas inerentes a meros burocratas “carregadores de piano”. Quem bem detectou esse lado menor da burocracia foi o saudoso e brilhante ex-ministro do planejamento Roberto Campos.

Em seu livro de memórias – leia-se “A Lanterna na Popa”– ele se lembra de uma despreparada funcionária da área administrativa do Itamarati. Esta, de acordo com Campos, recebia documentos com argumentações brilhantes. Pouco atenta ao brilho dos documentos, essa funcionária devolvia-os se o símbolo da República não estivesse exatamente no lugar. Do alto do brilho de sua inteligência e com seu humor negro que lhe era peculiar, o ex-embaixador do Brasil em Londres, apropriadamente, a denominou  “a perfeccionista do supérfluo”.

A boa gestão passa longe disso. Quem não é preparado parte para coisas comezinhas. Eis aí a face mais visível do que é transformar a administração em mera atividade fiscalizadora, típica dos bedéis de colégio.

 

(Salatiel Soares Correia, engenheiro, bacharel em Administração de Empresas, mestre em Planejamento Energético, autor, entre outras obras, do livro A Construção de Goiás)

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