Brasil

Uma análise contemporânea sobre psicoterapia Tratamento da alma – No Brasil atual – Parte I

Redação DM

Publicado em 13 de agosto de 2015 às 21:50 | Atualizado há 11 anos

Sabemos que em todas as profissões, atualizar-se é fundamental. Na psicoterapia isso é condição sine qua non para podermos ajudar àqueles que confiam e partilham conosco suas histórias: seus conflitos existenciais, suas dores e angústias da alma. Atualmente venho repensando minha forma de atendimento, adequando-me à busca e expectativa do paciente. Acredito que a cada dia se torna mais distante da realidade atual o “cliente passivo”, que chega ao consultório, fala, fala e vai embora feliz por ter tido a oportunidade de falar e mostrar o seu “ponto de vista”, embora essa “catarse” (desabafo) lhe ajude muito; mas não é o bastante ou suficiente para ‘cura’ de seu corpo integral.

Algumas perguntas e afirmações são básicas num processo psicoterápico: “Por que eu sou desse jeito?”; “Por que eu não sou feliz?”; “O que devo fazer para mudar e melhorar minha vida?”; “Eu sou uma pessoa boa! Não consigo entender porque isso só acontece comigo!”; “Fulano é “mau”, porém é “feliz”?”; “As pessoas falam sobre autodescobrimento, mudança interior, reforma íntima; mas não vejo como isto pode me ajudar!” Finalmente, o paciente busca seu último desabafo: “Você (psicólogo/psicoterapeuta) é minha última esperança ‘doutor’!, já fui a vários especialistas, já fiz todo tipo de exame, já não aguento tomar tantos remédios e estou cada dia pior, não sei o que ocorre comigo, me ajude, por favor!”

Lembrando que não estamos aqui descartando a importância do Psiquiatra e das possíveis necessidades de terapia medicamentosa.

Sabemos que a catarse (falar ‘tudo’ que vem a mente naquele momento) é importante e beneficia o paciente no tratamento psicológico, principalmente, na fase inicial. Entretanto minha experiência de 29 anos tem me mostrado que o paciente quer mais do que apenas falar e voltar para casa sem nenhuma “resposta” ou “reflexão”, ou mesmo, nenhuma sugestão de como mudar.

Hoje, principalmente, em tempos de crise, falta de tempo e dinheiro, o profissional (psiquiatra, psicólogo e psicoterapeuta) deve e precisa ser mais atuante: dialogar com o paciente de forma aberta e interativa.

É necessário que exista um raciocínio lógico e coerente sobre o que levou o paciente a procurar o tratamento psicoterápico, quais os principais sintomas e, principalmente, o que o paciente quer da psicoterapia e do terapeuta e o que ele pode assumir como compromisso para mudar sua vida e seus sofrimentos. É preciso fazer com que o paciente tenha uma visão raciocinada de como sua maneira de viver (comportamento e atitudes) e de pensar, está influenciando em sua  “doença”, (veja outros textos nesse conceituado jornal: por que adoecemos – mesmo autor) pois não basta, simplesmente,  ir ao médico ou tomar os remédios. É fator sine qua non que o indivíduo mude sua maneira de se comportar (atitudes e ações) e, pensar. É necessário que o trabalho entre profissional e paciente tenha objetivos comuns, e que seja sempre repensado como está caminhando o tratamento, não apenas dentro do consultório, mas, principalmente, no intervalo entre uma sessão e outra, ou seja, seu comportamento junto à família, no trabalho, na vida social e afetiva. Temos consciência de que o psicoterapeuta não muda a vida de ninguém. É preciso que o paciente saiba disso, para que venha compreender que o profissional é um “facilitador” para que o mesmo tenha uma visão diferenciada entre os comportamentos saudáveis e aqueles que o levam a problemas “psicoespirituais”– hábitos, atitudes, costumes e pensamentos viciantes. É necessário que o paciente comece a repensar sua vida e a si mesmo, através da descoberta de seu verdadeiro “Eu” ou de sua identidade, fazendo a si mesmo uma pergunta chave que o levará a uma mudança de postura em relação à vida, ao mundo externo e em relação a si mesmo, buscando o equilíbrio integral, respondendo a si mesmo à pergunta: “Quem sou eu?”

Temos que o processo psicoterápico é: desaprendizagem, aprendizagem e reaprendizagem, e para que isto ocorra, necessário se faz que auxiliemos o paciente a pensar, pois temos conhecimento que, normalmente, é ensinado ao indivíduo o que pensar; e não como pensar. Muitas doenças são produto da nossa maneira errada de pensar (auto sugestão – Psicanálise), levando-nos a “plasmar” acontecimentos negativos em nossa vida, ou seja, viciamos nossos pensamentos negativos e nos comportamos de maneira “errada”, sem consciência de que estamos plantando chuva para colhermos tempestade. Hoje, a Ciência confirma que 90% de nossas doenças são psicossomáticas, ou seja, nascem em nossa alma, se desenvolve em nosso psiquismo e caso não tratados, vai “desaguar” (de uma simples gripe a um câncer fulminante) em nosso corpo físico.

É sabido que ninguém muda a vida do outro, portanto quem busca psicoterapia para mudar o marido, a mulher, os filhos estão perdendo o seu tempo. Assim como aqueles que pensam que é o psicoterapeuta que irá solucionar seus problemas e “doenças” também se equivocam, pois o profissional será apenas o intermediário, o mediador entre o “Ser conhecido” e o “Ser desconhecido” do paciente. Uma vez que a mudança e a cura devem partir de dentro para fora, do interior para o exterior, e não vice-versa.

Um filósofo da antiguidade no disse: “Conheça-te a ti mesmo” e Jesus acrescentou: “Conhecei a verdade e a verdade vos libertará.” Partindo destes princípios, muitos acreditam que é mais viável conhecer o outro para suportar a si mesmo ou que verdade está fora, no outro, nos livros, nas religiões; novamente equivocam-se, pois somente através da auto-reflexão, da auto-análise, do descobrimento interior de seus vícios e paixões é possível descobrir estas verdades que tanto almejamos ou  procuramos. A felicidade não está fora; mas dentro de cada um de nós. É dentro do próprio ser que está a verdade. Cada um terá a sua verdade, a sua resposta, para conquistar a si mesmo e enfrentar os desafios que a vida nos propõe.

O Homem é possuidor de verdades relativas; as verdades absolutas estão nas mãos do Criador. Deus está no íntimo de cada Ser; assim, as verdades se encontram nos “porões” (inconsciente e subconsciente) de cada indivíduo. Cabe a cada um ir ao encontro dessas verdades, que são a própria essência do Ser: “Buscai e achareis.” Para que o Homem exista é preciso que ele pense, pois como disse o filósofo: “Penso, logo, existo.”

Finalmente, podemos concluir essa primeira parte que o processo psicoterápico deve ser ativo e atuante, questionador e reflexivo, para que possamos sair do “status quo” em que se fechou o ser atual, movido mais pelo virtual do que pelo mundo real, tentando esconder de si mesmo, em sua própria ignorância, esquecendo que Deus nos deu a inteligência e o raciocínio, não para fazermos deles uma arma; mas para evoluirmos e caminharmos até Ele. “Quem tem olhos, que vejam; quem tem ouvidos, que ouçam” antes que já se faça tarde demais, pois o tempo é agora. Quem tem olhos e vê, quem tem ouvidos e ouve, nada passa desapercebido.

 

(Dr. José Geraldo Rabelo, psicólogo holístico, psicoterapeuta espiritualista, parapsicólogo. Filósofo clínico. Especialista em família, depressão, dependência química e alcoolismo. Artista plástico. Escritor e palestrante. Emails.: [email protected]  e/ou [email protected])

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia