Venezuelanos no Bolsa Família passam de 1 mil para 205 mil em 8 anos
Léo Carvalho
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 08:48 | Atualizado há 5 meses
Evolução do número de venezuelanos no Bolsa Família entre 2017 e 2025, dentro do total de 331 mil estrangeiros atendidos pelo programa social no Brasil | Foto: Divulgação
A migração internacional provocada pela crise política, econômica e social na Venezuela alterou de forma significativa o perfil de estrangeiros atendidos pelo Bolsa Família no Brasil. Em oito anos, o número de venezuelanos beneficiários do programa saltou de 1.062, no final de 2017, para 205 mil em setembro de 2025.
O crescimento acompanha o aumento do fluxo migratório para o território brasileiro, especialmente a partir de 2018, quando estados da região Norte, como Roraima e Amazonas, passaram a registrar pressão constante sobre serviços públicos e estruturas de acolhimento. Com a implementação da Operação Acolhida, houve avanço nos processos de regularização migratória, emissão de CPF e inscrição no Cadastro Único, requisitos necessários para acesso ao programa social.
Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome indicam que os venezuelanos correspondem a 61% dos 331 mil estrangeiros de 211 nacionalidades atualmente incluídos no Bolsa Família. O acesso ocorre sob os mesmos critérios aplicados aos brasileiros, com renda familiar per capita de até R$ 218 mensais.
O valor médio do benefício recebido por essas famílias é de aproximadamente R$ 780 por mês. A maioria dos beneficiários vive em situação de vulnerabilidade social, com presença de crianças, adolescentes ou idosos. O programa exige o cumprimento de condicionalidades, como frequência escolar mínima de 60% e calendário de vacinação atualizado.
A concentração de beneficiários ocorre principalmente em estados fronteiriços e grandes centros urbanos. São Paulo aparece como um dos principais polos, com cerca de 26 mil venezuelanos cadastrados em programas sociais federais.
O impacto fiscal do atendimento a estrangeiros no Bolsa Família é estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão por ano. O tema integra discussões sobre orçamento público e políticas migratórias. O governo federal sustenta que a concessão do benefício segue a legislação vigente, que assegura acesso a políticas sociais a imigrantes com residência regular em situação de pobreza.
Com a redução do ritmo de entrada de novos migrantes, a tendência apontada por técnicos é de estabilização do número de beneficiários, com foco em ações de qualificação profissional e inserção no mercado de trabalho como estratégia para diminuição da dependência do programa.