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Visita ao Credeq e Wassily Chuc

Redação DM

Publicado em 5 de julho de 2022 às 13:20 | Atualizado há 4 anos

Conforme demandado em audiência pública sobre “Alta a Pedido” realizada na Câmara Municipal de Goiânia, a Associação de Pacientes Psiquiátricos de Goiás (APPSIGO) iniciou o processo de visita às instituições de internação em saúde mental nesta capital.

Estivemos no Centro de Recuperação em Dependência Química (Credeq) e no Hospital Psiquiátrico Wassily Chuc. Em ambos fomos muitíssimo bem recebidos, pudemos conversar com equipes de trabalho e pacientes internos e conhecer o espaço físico. Soubemos das rotinas, do tratamento, das dificuldades. É realmente uma satisfação poder reconhecer esforços e méritos neste campo tão árduo de trabalho. E reconhecemos, nestas instituições, trabalhadores comprometidos com a causa da saúde mental; terceirizados, concursados, comissionados. Esforçados e meritosos.

Na questão da “Alta a Pedido”, ouvimos questões relativas a ajustes e dispensação de medicação e a dificuldades com a rede de apoio, que é refratária às instituições de internação. Os recorrentes pedidos de antecipação de “Alta” por pacientes e/ou familiares se dão por razões diversas: sensação de isolamento, limites de tempo e de recursos para o acompanhamento do/a familiar em tratamento, dificuldades com a medicação; com o ambiente, no caso do Wassily Chuc. A “Alta a Pedido” é constatadamente um problema e está diretamente ligada ao tratamento recebido. E a descontinuidade do tratamento, às recorrências. Encontramos disposição para o diálogo, inclusive para continuarmos a conversa sobre a questão da “Alta a Pedido”.

Problemas inconcebíveis: no Credeq, a baixa procura que gera vagas ociosas tanto na internação quanto no ambulatório, devido sua não aceitação na Rede de Atenção Psicossocial – RAPS, já que nasceu à parte dos movimentos pela saúde mental e na contramão da Lei da Reforma Psiquiátrica de 2001, que prevê a redução progressiva dos leitos em hospitais psiquiátricos e o investimento na rede pública extra-hospitalar — como Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e leitos de saúde mental em hospitais gerais, bem como o desenvolvimento de ações de saúde mental na atenção básica.

Ainda que o Credeq seja de difícil acesso e sua criação questionável, diante da Lei 10.216 de 2001, da Reforma Psiquiátrica, seu espaço físico é maravilhoso, único, inquestionável para um bom tratamento em Saúde Mental. Não pode ser ignorado, ainda que sonhemos com um serviço público de qualidade contínua, com servidores concursados.
Governantes ignoram a Reforma Psiquiátrica, desconhecem o que é a RAPS. E a saúde mental da população se deteriora…Junto aos serviços, apesar dos esforços.

No Wassily, inconcebível a falta de regulação dos serviços, que permite que pessoas venham de outros municípios e ao chegar não encontre a vaga para internação. Sempre desprezado, este hospital, que deveria ser um Hospital Geral, tem a estrutura muito aquém do que precisa, em termos de recursos humanos (possui uma única psiquiatra e duas psicólogas), materiais e de espaço físico, que pode ser muitíssimo melhorado se a Prefeitura contribuir de forma sistemática com a reforma e a manutenção dos espaços externos, para jardinagem, práticas esportivas e de convivência social.

Neste momento de instabilidade socioeconômica com aumento de distúrbios, doenças e transtornos mentais frente a um franco desmonte da RAPS, é urgente a sensibilização de toda a sociedade para a reflexão, a discussão e o encaminhamento das ações necessárias no campo da saúde mental, pois toda pessoa está sujeita a lidar com problemas de saúde mental, quer seja pessoal, com parentes, amizades, vizinhos, no local de trabalho e até vindo de desconhecidos, na rua ou nas redes sociais. Qualquer pessoa está sujeita aos riscos da falta de tratamento, de acompanhamento, de entendimento do sofrimento mental.

Conclamamos aos líderes do poder público que são representantes da Saúde e que se identificam com a causa da Saúde Mental, nas três esferas, para que se mobilizem junto ao Conselho Municipal, junto às entidades representativas de usuários e trabalhadores, para uma avaliação dos serviços, para a deliberação de ações que refaçam a Rede de Atenção Psicossocial, pacificando, desmitificando, definindo protocolos e informando para um melhor entendimento quanto ao adoecimento mental e à sua prevenção, aos tratamentos, direitos e riscos em geral.
Novas visitas, impressões e ações, virão. Pela Saúde Mental!

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