Em busca do espírito natalino
Redação DM
Publicado em 9 de dezembro de 2022 às 21:25 | Atualizado há 2 anos
Chegou aquela época do ano em que a maioria das pessoas está mais propícia à solidariedade e também ao consumo. O Natal, festa católica que celebra o nascimento do Menino Jesus, se aproxima e deixa no ar, a necessidade de reflexão e mudanças de atitudes. A data tem ainda o seu lado mundano, e propicia vendas recordes no comércio tendo como embaixador o bom velhinho. Para muitos é tempo de alegria, união, para outros é de saudade e solidão. Logo,, uma coisa é fato: o famoso espírito natalino, certamente, não é mesmo para todos.
Para a socióloga Janaína Sevá, o Natal é uma data universal – até mesmo para quem não é cristão – na qual são valorizados valores de doação, humildade e altruísmo. “Até pelo sentido da ceia, de dividir o pão e aceitar as diferenças. Mas, por causa do comércio, esses valores são deixados em segundo plano. Existe um processo de associar o Natal com o ato de presentear com presentes caros e exclusivos, o contrário do espírito que motiva a festa. Acho que é uma época de refletir as escolhas que cada um tem”, analisa.
O Natal tem gosto de infância para o professor de teologia da PUC, Walmor da Silva. “É a melhor festa para lembrar de quando a gente era criança. Na memória se reacendem as luzes e ressoam as músicas que embalavam aquelas festas. Eram tempos de felicidade, com presentes simples e alegrias intensas. Em sintonia com o verdadeiro sentido da festa, celebrava-se o nascimento do Deus feito criança, na pobreza de uma manjedoura, para trazer paz à humanidade”, comenta.
João Pedro, de 7 anos, apesar da pouca idade já tem guardado bons momentos da festa. Gosta das luzes, dos presentes e da família reunida, mas sabe que o espírito do Natal está além. “Para mim, o espírito de Natal é o nascimento de Jesus com as famílias e os amigos. Tem os presentes que os Três Reis Magos deram para Jesus na época. Eu esqueci quais eram os presentes. Mas hoje as mães dão presentes para os filhos para lembrar disso”, conta.
Para João Pedro, de 7 anos, os presentes são legais e celebram o nascimento de Cristo. Rariana Pinheiro
Para a consultora de seguros Lilia Faria, a data é tomada por diversos afazeres. “É muito corrido, já que final de ano é época de fazer o balanço da empresa, tem as confraternizações da empresa, família, amigos e sempre queremos comprar algo novo para decoração de Natal. Eu adoro essa época, que é um momento de agradecer pelo ano e pedir a Deus sempre permaneça presente em nossas vidas”, diz
Esperança
Levar esperança de casa em casa é um dos papéis da embaixadora da Folia de Reis de Trindade, Odetina Santos nessa época. Quando a festa está próxima já inicia a organização da folia, como a buscar festeiros – da partida e chegada – reunir os foliões. Cantar, adorar presépios, trazer momentos de fé e comunhão às pessoas é a sua missão que começa no começo de dezembro e só termina no final de janeiro.
“Enfrentamos sol e chuva com otimismo e alegria, porque a gente sabe que vai levar para casa das famílias, paz amor, oração e esperança com a presença de Jesus dos Três Reis Magos. Nas casas a gente chega e, muitas vezes, encontramos o presépio montado. Aí sempre fazemos a adoração, diante do Soberano, do qual devemos sempre dobrar nossos joelhos” explica.
Para a embaixadora da Folia de Reis de Trindade Odetina Santos, Natal é época de levar esperança de casa em casa. Rariana Pinheiro
Natal também tem seu lado triste
A moradora Lady Diana conta que recebe muita coisa no Natal. Mas não tem muita esperança de mudança no futuro.. Rariana Pinheiro
Luciano Menezes, por sua vez, não vê tanta magia no Natal. Após a partida de sua avó, a família se desuniu e ele vê apenas o lado do consumo. “Acho que a data perdeu muito da sua essência. Por um lado se vê muita fartura, do outro falta o básico. Acredito que é uma época voltada ao consumismo. E também, fico mais triste”, diz.
A moradora de rua Lady Diana, também conhecida como Florzinha, que há anos pede esmolas na região da Catedral Metropolitana de Goiânia, gosta do Natal, mas confessa que é difícil que acreditar que algo mude em sua realidade após a data.
Revela, com os olhos brilhando – mas devido a alguma substância química – que Natal é a época em que mais recebe ajuda. “Eu ganho muita coisa na véspera do Natal. As pessoas ficam mais generosas. Mas, eu vivo uma vida sem esperança”, explica ela ressaltando que o maior presente que almeja é se livrar do uso de drogas em alguma comunidade terapêutica e tem medo de perder a guarda dos
Box: 5 filmes de Natal que você precisa ver
Se você é daqueles que gosta de Natal, mas ainda não conseguiu entrar no clima, a cinéfila, Terezinha Araújo separou filmes que trazem a mensagem de forma sensível e criativa. Mas, ela afirma que a missão foi difícil. “A maioria dos filmes dessa época são meio bobinhos” confessa.
Estrela de Natal
Rariana Pinheiro
“É uma animação que é linda sobre o burrinho que carregou Nossa Senhora grávida”, conta a cinéfila. A trama acompanha a história do pequeno e corajoso asno Bo (Steven Yeun), que deseja ter uma vida melhor e deixa a aldeia onde nasceu para embarcar em uma aventura.
Diário de Noel
Rariana Pinheiro
O autor best-seller Jacob Turner (Justin Hartley) volta para casa no Natal, após quase duas décadas distantes e depois de receber a noticia da morte de sua mãe. No processo de arrumação do espaço, ele encontra um diário deixado por alguém chamado Noel, que pode conter segredos de seu próprio passado e de Rachel (Barrett Doss), uma visita inesperada. Unidos por sua busca para entender o passado e reescrever seu futuro, Jacob e Rachel saem em busca de Noel. “É uma comédia romântica lindinha”, promete Terezinha Araújo.
Um Castelo de Natal
Rariana Pinheiro
O autor best-seller Jacob Turner (Justin Hartley) volta para casa no Natal, após quase duas décadas distantes e depois de receber a noticia da morte de sua mãe. No processo de arrumação do espaço, ele encontra um diário deixado por alguém chamado Noel, que pode conter segredos de seu próprio passado e de Rachel (Barrett Doss), uma visita inesperada. Unidos por sua busca para entender o passado e reescrever seu futuro, Jacob e Rachel saem em busca de Noel. “É uma comédia romântica lindinha”, promete Terezinha Araújo.
Uma Invenção de Natal

Conta a história de um fabricante de brinquedos Jeronicus Jangle (Forest Whitaker) e sua neta Journey (Madalen Mills), que são responsáveis por invenções fantásticas que dão origem a peças excêntricas e magníficas. Quando sua mais preciosa criação é roubada por seu aprendiz de confiança, a traição deixa Jeronicus improdutivo e recluso, cabendo a sua neta criar uma mágica invenção para salvar o Natal.
O Estranho mundo de Jack
Jack Skellington (Chris Sarandon) é um ser fantástico que vive na Cidade do Halloween, um local cercado por criaturas fantásticas. Lá todos passam o ano organizando o Halloween do ano seguinte, mas, Jack se mostra cansado da mesma rotina, busca novas aventuras e atravessa o portal do Natal, onde vê demonstrações do espírito natalino. Ao retornar para a Cidade do Halloween, sem ter compreendido o que viu, ele começa a convencer os cidadãos a sequestrarem o Papai Noel (Edward Ivory) e fazerem seu próprio Natal. “É culto, do Tim Burton. Mas é Tim Burton. Meio Dark. Eu amo”, afirma.