Coronavírus

Pesquisadores da USP identificam remédios que podem funcionar no tratamento da Covid-19

Apenas sete, dos 11 mil remédios testados, podem ter eficácia no tratamento da doença

diario da manha
Foto/Reprodução

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) descobriram sete medicamentos com potencial para tratar a covid-19. Os remédios podem deixar inativo e podem parar a replicação do novo coronavírus (SARS-CoV-2). O estudo foi publicado no Journal of Biomolecular Structure and Dynamics.

A descoberta foi realizada a partir de uma técnica computacional conhecida como reposicionamento de fármacos. Nela foram selecionados mais de 11 mil medicamentos para pesquisas. Desses 11 mil remédios, que estavam contidos no banco de dados de medicamentos DrugBank, 2.500 foram descartados. Dos 8.500 restantes, foram selecionados 14 fármacos para tratamento de enxaqueca, doenças respiratórias, ação antimicrobiana e produtos naturais submetidos à simulação computacional, chegando assim nas moléculas mais estáveis no sítio ativo da principal enzima do novo coronavírus.

Por computador, os pesquisadores testaram a ação dos fármacos sob a enzima 3CLpro do SARS-CoV-2, responsável pela replicação do vírus. A partir disso, eles selecionaram os que mostraram maior afinidade em desativar a enzima e, por consequência, evitar que o coronavírus se replicasse em outras células.

Em um trecho da pesquisa, os especialistas ressaltam que, ‘o vírus deixa de se replicar e de se proliferar, tendo como consequência a diminuição da carga viral e impedindo que a Covid-19 se torne grave’. Agora o próximo passo é comprovar a eficácia dos medicamentos, in vitro (teste laboratorial, sem seres vivos, dentro de ambientes fechados).

Segundo Cristiane Guzzo, professora do ICB da USP e coordenadora do estudo, os sete fármacos já são aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos. O que pode facilitar o avanço da pesquisa para testes clínicos (em células humanas), caso a eficácia contra o novo coronavírus seja comprovada em testes laboratoriais.

Se comprovada a tese in vitro, os mesmos fármacos poderão ser testados em células humanas para averiguar se, de fato, poderão ser usados como tratamento contra Covid-19 no futuro. Mas os pesquisadores afirmam que ainda é necessário ter os resultados dos testes in vitro para saber se haverá viabilidade de testes em humanos.

Lista dos remédios

  1. Hexassacarídeo derivado de acarbose (produto natural);
  2. Angiotensinamida (vasoconstritor);
  3. Diidroestreptomicina (antibiótico);
  4. Enviomicina (antibiótico);
  5. Fenoterol (bromidrato de Fenoterol é indicado para o tratamento sintomático da crise aguda de asma e bronquite obstrutiva crônica);
  6. Naratriptano (usado no tratamento agudo de crises de enxaqueca);
  7. Viomicina (antibiótico).

“São fármacos promissores, porque temos dados que sugerem que terão uma eficácia, mas precisamos provar experimentalmente, e mesmo assim isso não significa que vai funcionar em humanos. Não há como prescrever nenhum medicamento”, ressalta a pesquisadora.

Com dados do jornal CNN Brasil*

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