A superação da terceira idade na pandemia
Redação DM
Publicado em 30 de setembro de 2021 às 17:40 | Atualizado há 1 ano
O mês de outubro começa com uma data pouco lembrada entre a popualação, o Dia Mundial do Idoso, comemorado nesta sexta-feira, 1º. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1991, e a cada ano, um tema diferente é abordado neste dia tão importante para a sociedade.
Em 2020, a pandemia de Covid-19 mudou o rumo de toda a população, especialmente a mais idosa. Essa parcela da sociedade, que já é mais vulnerável perante a várias situações, se viu diante de um inimigo mortal e invisível, e teve que se trancar em casa para não adoecer.
O lockdown encurtou os laços entre os idosos e seus filhos, netos e bisnetos, e deixou uma população mais ansiosa e deprimida, que através da janela assistia a uma realidade que mais se parecia com um filme de ficção científica. As chamadas de vídeo e ligações passaram a ser uma ferramenta para aliviar a saudade entre parentes, que mesmo até agora, com a chegada da vacina, precisam manter o dobro dos cuidados que havia antes.
O casal Maria Ironita, de 66 anos, e José Ademar, de 70 anos, vivem longe da família há 12 anos. A família mora em Goiânia, e o casal em Florianópolis. As viagens de páscoa e outras datas comemorativas que o casal realizava todos os anos para ver a família, tiveram que ser adiadas. Maria e José, que trabalham com imóveis na capital catarinense, tiveram que se isolar em casa e se adaptar a uma nova realidade, bem diferente da qual estavam habituados.
José afirma que quando foi declarada pandemia, eles precisaram se afastar e se isolar, o que os deixou mentalmente vulneráveis.
“A gente ficou assustado, pois tudo que a gente vinha fazendo, teve que ser adiado. Não sabíamos pra que lado ir, tínhamos medo de pegar a doença, e esse medo foi deixando a vida mais complicada, tivemos que nos afastar das pessoas por medo de adoecer. E com isso a gente ficou mais doente mentalmente”, explica.

A falta de contato físico foi a mais dolorosa para o casal, que todos os anos vinha para Goiânia ver os filhos e netos.
“Essa é a pior parte que tem, porque a gente que é idoso, tem certa carência, de conversar, rir, de dar opinião, de brincar com os netos. A gente gostaria de estar sempre junto, mas infelizmente esse ano que passou, não pudemos fazer isso”, lamentou o casal.
Devido ao lockdown e a falta de contato com amigos e parentes, o casal se sentiu desanimado e triste, pois as caminhadas matinais na praia, os passeios que gostavam de realizar tiveram que ser temporariamente encerrados, e tal fato mexeu muito com eles, que tiveram que recorrer à tecnologia para aliviar a saudade.
“A gente teve que se adaptar mais com a tecnologia, as chamadas de vídeo e ligações. Foi o único meio que a gente teve de ter contato com a família. Após as ligações a gente chorava pois não podíamos abraçar”, disse José.
Agora, que praticamente toda a família está vacinada, Maria e José afirmaram que a pandemia, apesar de ter ceifado milhares de vidas, os trouxe alguns ensinamentos, como dar valor àquilo que antes nos passava despercebido.
“A gente está dando mais valor às pequenas coisas, hoje a gente sabe que uma conversa bem de perto e bem aproveitada com quem a gente gosta é muito importante. Antes a gente não dava muita bola para isso, né. Hoje a gente sabe o valor que tem ouvir e falar com quem a gente ama. A gente se sente mais apegado às pessoas, pelo fato de ter ficado um ano e meio distante de quem amamos”, finalizou o casal, que agora tem planos de vir à Goiânia rever a família depois de muito tempo longe.
É importante todos mantermos os cuidados não somente com o uso de máscaras e assepsia, mas também os cuidados com os mais velhos, saber que existe sentimento e que essa população que, apesar de ter tanta bagagem, teve que se recolher e hoje lida com os traumas de mais de um ano de pandemia. O respeito e o carinho com os idosos são atos de heroísmo em um país que teve o Estatuto do Idoso aprovado somente em 2003, e esse momento turbulento que o mundo vem passando faz dos idosos, grandes símbolos de luta e superação.
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