Adolescente envolvido em estupro coletivo é morto no Piauí
Redação DM
Publicado em 18 de julho de 2015 às 02:52 | Atualizado há 11 anosAgência Brasil
Um dos quatro menores envolvidos no estupro de quatro meninas na cidade de Castelo do Piauí, a 190 quilômetros de Teresina, foi morto na madrugada de ontem dentro do alojamento do Centro Educacional Masculino (CEM), no bairro Itaperu, zona norte de Teresina.
O adolescente, de 17 anos, era o mais velho dos quatro menores, relatou – em depoimento à polícia – as circunstâncias do crime. Gleison Vieira da Silva, 17 anos, foi espancado até a morte.
De acordo com o governo do Piauí, apesar de os menores envolvidos no estupro terem sido colocados em salas separadas, por questão de segurança, o adolescente foi morto após uma briga entre eles.
“O acontecimento dessa madrugada se deu entre os próprios adolescentes envolvidos no crime, após desentendimento entre eles”, informou nota do governo.
Segundo a Secretaria da Assistência Social e Cidadania, os procedimentos determinados pelos juízes da Infância e Juventude e pelo Ministério Público foram “rigorosamente obedecidos”.
Após a morte do adolescente, os outros três envolvidos no estupro e suspeitos da morte do colega foram removidos para a Central de Flagrantes, para apuração dos fatos que motivaram o crime.
No dia 27 de maio, quatro meninas, com idade entre 15 e 17 anos, foram encontradas pela Polícia Civil do Piauí violentadas e desacordadas em local próximo a um penhasco, em ponto turístico da cidade de Castelo do Piauí. Uma delas não resistiu aos ferimentos e morreu.
As investigações mostraram que elas foram abordadas, amarradas e amordaçadas pelos quatros adolescentes e também por Adão José de Sousa, 40 anos, apontando como mentor do crime. Conforme o Ministério Público, durante duas horas as meninas sofreram violência sexual e foram jogadas de cima do penhasco de mais de seis metros de altura.
A Justiça do Piauí determinou a internação, por três anos, dos quatro jovens envolvidos.
MAGISTRADO
O juiz Antonio Lopes da 2ª Vara da Infância e Juventude em Teresina disse ontem que o Centro Educacional Masculino (CEM) poderia ter sido, na verdade, palco “de uma chacina”.
Conforme o magistrado, os adolescentes vinham sendo ameaçados de morte pelos demais jovens da unidade. “Os internos disseram que os agressores tiveram foi sorte, porque iriam matar os quatro. Poderia ter sido uma chacina. Há 14 anos vejo que o Estado não tem cumprido o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente, que é manter separados menores com alto grau de agressividade, a exemplo de estupradores, e quando há riscos para a integridade física deles”, disse o juiz. O magistrado esteve no CEM na madrugada de ontem.