Aniversário de 33 anos do SMS traz nostalgia de quando enviar mensagem era arte
Léo Carvalho
Publicado em 1 de dezembro de 2025 às 14:50 | Atualizado há 6 meses
Prestes a completar mais um aniversário, o SMS carrega uma trajetória que atravessa três décadas de transformação tecnológica. Tudo começou em 3 de dezembro de 1992, quando o engenheiro canadense Neil Papworth enviou, a partir de um computador, a primeira mensagem de texto da história. O funcionário da Vodafone Richard Jarvis recebeu o recado “Merry Christmas” em um celular Orbitel 901, num período em que o serviço havia sido criado apenas para alertas e comunicações internas das operadoras.
A tecnologia só começou a chegar ao público no ano seguinte. Em 1993, a Nokia colocou no mercado o primeiro aparelho capaz de enviar e receber SMS diretamente pelo telefone, mas o serviço ainda demoraria para conquistar o usuário comum. Dois anos depois, em 1995, a média global era de apenas quatro mensagens enviadas por dia. O avanço veio em ondas, impulsionado pela popularização dos celulares e pelo custo reduzido das mensagens.
A virada ocorreu mesmo foi nos anos 2000, quando os celulares se popularizaram, os preços das mensagens caíram e digitar no teclado numérico virou hábito cotidiano. O SMS se consolidou como um fenômeno cultural, marcado por abreviações, economias de caracteres e pelas famosas “artes” feitas com símbolos, muito presentes em datas comemorativas como o Natal.
Geração 2000
A nova geração talvez nem imagine como era o ritual de enviar mensagens nos antigos Nokias. Muitos nunca viram ou sequer souberam que os SMS nasciam em telas monocromáticas, com letras pixeladas e desenhos feitos com símbolos, iguais ao da foto. Cada recado exigia paciência. Para escrever, era preciso apertar várias vezes a mesma tecla até alcançar a letra certa e vigiar de perto o limite de 160 caracteres.

Era outra lógica de comunicação, mais lenta e mais criativa. Quem viveu aquela época lembra do cuidado com cada símbolo e do capricho para montar corações, árvores de Natal e enfeites improvisados no teclado numérico. Para quem cresceu com apps de mensagens instantâneas, esse universo parece distante. Mas para toda uma geração, ele marcou o início da vida digital.
Assim, entre três décadas de mudanças, o que começou com um simples “Feliz Natal” se tornou um marco da comunicação móvel e um símbolo afetivo de uma era que moldou a vida digital.
Memória afetiva
Rogério Martins, 42 anos, técnico em informática, que viveu a fase de ouro dos celulares Nokia, recorda os velhos tempos com bom humor e conta: “Naquela época a gente virava designer gráfico, poeta, roteirista e até economista ao mesmo tempo só para conseguir mandar um SMS,” brinca. Rogério descreve ainda as engenharias criativas que fazia no teclado: “Eu criava coração com <3, colocava moldura com === e até carinha piscando com ; ),” exemplifica.
Ele diz que cada mensagem era tratada como uma pequena produção editorial. “Como o SMS era pago, eu revisava cada caractere como se estivesse editando uma manchete de jornal importante”, afirma o técnico de informática.
Desde então, o tempo passou e o crescimento foi tão acelerado que, em 2010, o mundo registrou 6,1 trilhões de SMS enviados, o equivalente a cerca de 192 mil mensagens por segundo. Uma transformação que começou tímida e que hoje é lembrada com nostalgia, especialmente no aniversário do primeiro envio de um SMS, celebrado todo 3 de dezembro.
