‘China agiu tarde’, diz ativista sobre política do filho único
Redação DM
Publicado em 2 de novembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosRIOO fim da política do filho único na China foi recebido com ceticismo por críticos e ativistas de direitos humanos. Indicado em várias ocasiões ao Nobel da Paz, o advogado e deficiente visual Chen Guangcheng criticou o fato de Pequim continuar no controle do planejamento familiar. Com a mudança na lei, todos os casais terão a permissão de ter até dois filhos, numa tentativa do governo de frear o envelhecimento da população e estimular a economia do país. Em entrevista ao GLOBO, Guangcheng, que se tornou um dos dissidentes mais famosos na China, afirmou que a decisão terá pouco impacto no curto prazo. A política do filho único foi instituída oficialmente em 1980 com o objetivo de conter a explosão demográfica.
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A decisão da China de derrubar a política do filho único representa um avanço nos direitos humanos?
Adotar uma política de dois filhos para substituir a de um filho é de fato um avanço. Mas a mudança representa apenas uma melhoria, não a um nível digno de comemoração. A política de planejamento familiar que priva as pessoas de seus direitos reprodutivos permanece em vigor no país. Somente o grau de controle da população é que foi afrouxado um pouco. Além disso, as políticas que obrigam as mulheres em idade fértil a se submeterem a uma exame de gravidez a cada três meses não mudaram. Vale lembrar, ainda, que o governo não fez qualquer menção sobre aborto forçado, perseguição de famílias e de parentes daqueles que tiveram “excesso de nascimentos”.
Acredita que o governo se viu pressionado pela desaceleração na economia?
Ao longo dos 35 anos em que a política esteve em vigor, as consequências foram devastadoras, como, por exemplo, a escassez de mão de obra e o envelhecimento da população. Essas consequências vão se tornar mais perceptíveis ao longo do tempo. Como este tema se tornou mais evidente, somado aos apelos nacionais e internacionais por mudanças na questão do planejamento familiar, o Partido Comunista Chinês não teve escolha a não ser colocar um fim à desumana política do filho único.
A mudança vai ter o impacto esperado?
Mesmo se o controle da população fosse completamente abolido hoje, seria tarde demais para reverter os problemas sociais que o país enfrenta, e a política de dois filhos não vai fazer muita diferença. No curto prazo, se a questão é a escassez de mão de obra e o envelhecimento da população, a mudança não terá muito impacto. Qualquer impacto não será sentido por mais de uma década.
As dificuldades econômicas serão uma barreira para os pais que desejarem ter um segundo filho?
Acho que muitos casais vão ter um segundo filho. Claro que, com considerações econômicas, também haverá aqueles que vão escolher não ter.