China condena ativista a três anos de prisão
Redação DM
Publicado em 22 de dezembro de 2015 às 09:15 | Atualizado há 11 anosPEQUIM — O ativista de direitos humanos chinês Pu Zhiqiang foi condenado a três anos de prisão, com suspensão condicional da pena, nesta terça-feira. Ele é acusado de criar distúrbios nas redes sociais após publicar comentários críticos ao Partido Comunista e colocar em dúvida a eficácia da política do presidente Xi Jinping para o país.
Detido há mais de um ano, o advogado de 50 anos poderia ser condenado a até 8 anos de prisão. O caráter de suspensão condicional da pena implica que Pu deve sair da prisão, mas será submetido pelo controle periódico das autoridades chinesas e deverá pedir autorização para deixar Pequim.
— Não estamos satisfeitos com o veredicto porque havíamos solicitado a absolvição e esta condenação reafirma sua culpabilidade — disse o advogado do réu à AFP. — Ele será, como antes, suscetível de ser detido de forma arbitrária.
Os arredores do tribunal de Pequim tiveram um reforço de segurança nesta terça-feira, e militantes a favor de Zhiqiang foram afastados violentamente do local. Na semana passada, uma manifestação durante o julgamento do ativista terminou em conflitos com autoridades chinesas.
A diretora do Human Rights Watch na China, Sophie Richardson, emitiu um comunicado em defesa de Zhiqiang, afirmando que o tratamento que ele recebeu da autoridades representa uma violação das leis — ao contrário dos comentários do advogado na internet.
Pu Zhiqiang foi um dos estudantes das manifestações na Praça da Paz Celestial, um marco na História da China. Hoje em dia, é um dos advogados mais conhecidos do país e chegou a ser considerado a pessoa mais influente na luta pelo Estado de direito na China pela revista “China Newsweek”.
Desde a posse do presidente Xi Jinping em 2013, organizações em defesa dos direitos humanos denunciam o crescente controle da sociedade civil pelo governo chinês. Apenas neste ano, cerca de 300 advogados e ativistas já foram detidos, dos quais e cerca de 40 pessoas seguem em privação de liberdade ou incomunicáveis.