Cotidiano

Cirurgia a laser na coluna apresenta alta taxa de sucesso e recuperação mais rápida

Redação Online

Publicado em 12 de março de 2026 às 16:16 | Atualizado há 6 meses

Procedimento minimamente invasivo reduz dor pós-operatória, diminui tempo de internação e pode aliviar sintomas em até 95% dos casos

A cirurgia a laser na coluna tem se consolidado como uma alternativa minimamente invasiva para o tratamento de hérnia de disco e outras alterações da coluna vertebral. O procedimento apresenta taxa média de sucesso de cerca de 84% e pode alcançar entre 80% e 95% de alívio da dor em pacientes selecionados, segundo especialistas.

Entre as principais vantagens estão a recuperação mais rápida, menor tempo de internação e menor risco de infecção quando comparada à cirurgia aberta. Como o método utiliza uma agulha fina associada a uma fibra óptica, não há necessidade de cortes extensos, o que reduz o trauma cirúrgico, o sangramento e a dor no pós-operatório.

De acordo com o neurocirurgião especialista em coluna Túlio Rocha, muitos pacientes conseguem se levantar poucas horas após o procedimento e recebem alta rapidamente.

“Em muitos casos, o paciente pode ter alta no mesmo dia ou em até 24 horas. As atividades físicas leves costumam ser liberadas após uma ou duas semanas, embora esforços mais intensos devam ser evitados por cerca de 30 dias”, explica.

Como funciona

O procedimento consiste na introdução de uma fibra óptica com laser diretamente no disco intervertebral por meio de uma agulha fina. A energia do laser vaporiza parte do material herniado, reduzindo a pressão sobre os nervos e, consequentemente, aliviando a dor.

No Brasil, a técnica costuma ser realizada por via endoscópica, permitindo maior precisão e menor agressão aos tecidos ao redor da coluna.

“Entre as principais vantagens estão a recuperação rápida, menor trauma por preservar musculatura e estruturas ósseas, cicatrizes muito pequenas, menor necessidade de analgésicos e menor risco de infecção em comparação à cirurgia aberta”, afirma Túlio Rocha. “Além disso, a eficácia no tratamento de hérnias e estenose apresenta taxas de alívio da dor entre 80% e 95%.”

Indicações

A cirurgia a laser é recomendada principalmente para casos de hérnia de disco contida, quando o núcleo do disco não ultrapassa a estrutura externa conhecida como ânulo fibroso. Também pode ser indicada para pacientes com dor radicular persistente — conhecida como dor ciática — que não apresentam melhora após seis a 12 semanas de tratamento clínico com medicamentos e fisioterapia.

Outro grupo que pode se beneficiar são pacientes com doenças facetárias, caracterizadas por inflamação nas articulações da coluna.

Desde 2021, a cobertura de diversos procedimentos minimamente invasivos na coluna passou a ser regulada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que incluiu cirurgias endoscópicas entre os tratamentos obrigatórios para planos de saúde.

Crescimento da demanda

O aumento da procura por técnicas menos invasivas acompanha o cenário de alta incidência de problemas na coluna. Estimativas apontam que cerca de 300 mil pessoas são operadas de hérnia de disco todos os anos no Brasil, uma das principais indicações para esse tipo de procedimento.

Segundo Túlio Rocha, também cresce o interesse dos pacientes por métodos que ofereçam recuperação mais rápida e menor agressão cirúrgica.

“Muitos pacientes já chegam ao consultório informados e curiosos sobre a chamada cirurgia a laser, associando a ideia de um procedimento mais moderno e menos invasivo”, diz.

Apesar do avanço tecnológico, o especialista ressalta que a indicação precisa continuar baseada em critérios médicos.

“Nem todo caso é indicação para técnicas minimamente invasivas. O principal critério nunca é a tecnologia isoladamente, mas o benefício real para o paciente”, conclui.

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