Isaquias Queiroz abriu caminho para nova geração da canoagem brasileira, diz técnico da seleção
Léo Carvalho
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 15:13 | Atualizado há 58 minutos
Erlon de Souza também é apontado pelo técnico Lauro de Souza como referência para nova geração da canoagem | Foto: Rede Social/Divulgação
O Brasil chega ao Mundial de Canoagem Velocidade, em Poznan, na Polônia, com uma nova geração que já conquistou espaço nas categorias de base e começa a ganhar protagonismo entre os adultos. Para Lauro de Souza Jr., o Pinda, técnico da seleção brasileira, o país vive um momento que pode ser chamado de “Brazilian Storm” na modalidade.
O treinador, porém, aponta que o principal desafio agora é fazer com que os resultados obtidos pelos jovens sejam reproduzidos no nível adulto. O Mundial será disputado de 26 a 30 de agosto e representa uma das primeiras grandes oportunidades para avaliar essa transição.
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“Eu posso falar que esse Brazilian Storm da canoagem já aconteceu nas categorias de base. A gente vem ganhando tudo que podia ser ganho nas categorias de base e agora o grande desafio é fazer essa transição desses atletas da base para o adulto. A gente já começou isso, o Gabriel Nascimento é um exemplo, ele já é uma realidade hoje na categoria principal”, afirmou Pinda.
Isaquias e Erlon abriram caminho
Na avaliação do técnico, o crescimento da nova geração também está ligado ao caminho construído por Isaquias Queiroz e Erlon Souza. Segundo Pinda, os medalhistas ajudaram a mudar a percepção dos atletas mais jovens sobre a possibilidade de conquistar resultados em competições internacionais.
“O Isaquias, o Erlon, eles abriram as portas. Eles foram os pioneiros com relação às primeiras medalhas a nível mundial e passaram uma confiança, aquela questão de mostrarem aos jovens atletas que é possível”, afirmou.

A comissão técnica inicialmente trabalha com a perspectiva de formar essa geração para os Jogos Olímpicos de Brisbane, em 2032. No entanto, o desempenho apresentado pelos atletas pode antecipar alguns planos.
“Essa geração foi trabalhada pensando em Brisbane, mas com a qualidade que a gente está vendo nesses atletas, não seria surpresa nenhuma se algum deles já se colocasse na disputa para Los Angeles. Eu tenho o pé bem no chão com relação a isso, não quero avançar etapas com nenhum deles, mas também não vou segurar ninguém”, disse Pinda.
Mundial ganha importância no ranking olímpico
Além da disputa por medalhas, o Mundial de Poznan terá peso importante na corrida por vagas olímpicas. O sistema de classificação mudou e passou a considerar oito competições que distribuem pontos ao longo do ciclo.
De acordo com Pinda, os atletas que acumularem as melhores pontuações nessas oito competições garantirão a classificação olímpica. O Mundial terá peso maior por contar com multiplicador de 1,5.
“Agora mudou o formato, nós estamos com oito competições que somam pontos em todas elas, e os melhores qualificados, os que pontuarem mais nessas oito competições, eles garantem a qualificação olímpica. E o Mundial é o principal campeonato porque ele multiplica por 1,5”, explicou.
O técnico avalia que a seleção chega ao Mundial bem posicionada no ranking e pretende manter o desempenho apresentado nas etapas da Copa do Mundo.
Brasil mira disputa apertada no C2
Entre as provas de maior expectativa está o C2, disputado em dupla. Pinda prevê uma competição equilibrada e afirma que pequenas diferenças de desempenho podem determinar a posição final.
“No C2, na dupla, está um nível absurdo em nível mundial. Eu costumo dizer que a gente pode ser campeão, mas também podemos ser quinto lugar no Mundial. No dia quem vai ser campeão, quem vai ser quinto, vai depender do ímpeto do dia”, afirmou.
Para o treinador, o desempenho da base também vem aumentando o reconhecimento internacional do trabalho realizado no Brasil. Segundo ele, o interesse de outros países em intercâmbios cresceu, em um sinal de que a formação de jovens atletas passou a chamar mais atenção fora do país.
“O nosso reconhecimento com o que a gente vem fazendo com a base nesta segunda-feira (24) está muito maior do que com as medalhas olímpicas. A procura de países querendo vir fazer intercâmbios com a gente aumentou muito”, disse Pinda. (Com informações de ALEXANDRE ARAUJO E PAULO FAVERO / Folhapress)