Cotidiano

Contos da vida árdua

Redação DM

Publicado em 4 de janeiro de 2016 às 18:32 | Atualizado há 1 ano

A cada história há uma superação, exemplo de gente que acreditou em seu sonho, correu atrás e alcançou dias melhores de forma singular

Todos os dias pessoas em situações diferentes uma das outras escrevem em infinitos livros brancos trechos de suas próprias vidas. São histórias únicas, ricas de emoções, de luta e de glória. Por isso, a reportagem do Diário da Manhã

foi ouvir um pouco a construção cotidiana de diferentes cidadãos que também estão em momentos dispares da vida. A cada conto, entre lágrimas e risos, há uma superação, exemplo de gente que acreditou em seu sonho, correu atrás e alcançou dias melhores de forma singular.

Apesar de serem indivíduos distintos e escreverem suas vidas em páginas diferentes, as pessoas entrevistadas pelo

trazem consigo algo em comum, a célebre frase de Thomas Edison sobre a constituição da genialidade: “Talento é 1% inspiração e 99% de transpiração.” Neste contexto, somente aqueles que estão dispostos a sair de suas zonas de conforto é que têm mais chances de se dar bem na vida. As experiências que são compartilhadas a seguir podem até ser intransferíveis, mas podem servir, nesse início de ano, de motivação para que cada um recupere suas forças quando bater a incerteza ou o desânimo.

Artista

De vendedor de amendoim a humorista, com passagem pelo serviço público. Eder de Souza Rodrigues, 42 anos, é um homem de origem humilde e poderia ter passado muito longe dos estudos, mas o desejo de superação corria em suas veias. Ele tinha estudado só até a 4ª série, atual 5º ano do ensino fundamental. Porém, mais tarde, aos 27 anos, retornou às salas de aula e frequentou o ensino de Educação de Jovens e Adultos (EJA), com intuito de recuperar o tempo perdido.

“Eu estudava, mas não sabia o que fazer, pois não tinha uma profissão. Vendia amendoim torrado nas ruas de Goiânia, Brasília e Anápolis”, relembra Eder. Após concluir o ensino médio, ele cursou Ciências Biológicas e, em seguida, pretendeu cargo de servidor público, onde trabalha atualmente como gestor de posturas da Prefeitura de Anápolis, há 55 km da Capital. Eder Rodrigues é um anapolino. “Eu superei tudo, cheguei aonde queria, mas escolhi o humor porque é o que me dá prazer”, exalta.

Sobre ser humorista, ele explica que a ideia veio quando trabalhava em campanhas para a Companhia Municipal de Trânsito e Transportes (CMTT) de Anápolis. Foi nesse período que Eder viveu vários personagens e se descobriu como artista do humor. “Aprendi amar essa arte humorística nesta época. Fazia diversos personagens e consegui vencer a timidez da infância. Sempre achei que tive uma pegada para stand-up”, avalia.

Estímulo

Contudo, um desafio – oportunidade de visibilidade artística – ainda maior estava para ocorrer na vida de Eder Rodrigues. Ele foi convidado para fazer uma participação na emissora de Rádio Manchester, em Anápolis, no programa do radialista Marcelo Santos. “Eu tinha medo de encarar o desafio. Mas, perdi o medo e aceitei o convite do Marcelo. De lá pra cá, só tenho ganhado espaço” destaca. Na ocasião, Eder chegou a receber nome para o personagem que interpretava: Coitado, o contador de causos.

O batismo do personagem foi escolhido pelos próprios ouvintes do programa radiofônico. “No começo eu até achei ruim, mas, depois, me acostumei. Afinal, foram os fãs que escolheram”, reconhece Eder Rodrigues. Ele ainda acrescenta que em suas apresentações revive o humor caboclo. “Meu humor é simplista, matuto genuíno da roça. Não importo muito se têm pessoas que não goste do gênero, para mim o importante é o significado da minha mensagem”, afirma.

O artista revela outros sonhos de questão de tempo. “Atualmente, o Coitado já tem convite para participar de programa de TV em outro Estado. Não posso contar ainda o nome da televisão porque estou analisando se continuo em Goiás ou se aceito o convite”, assegura Eder ao Portal 7 Minutos. Ele também ressalta trabalhos voltados ao público infantil, stand-up comedy e imitações.

Altruísmo

“Desenvolvo também trabalhos sociais com idosos que vivem em casas de abrigos. Faço humor para eles e ainda campanhas de arrecadação de todos os tipos de donativos para ajudar os asilos. São pedidos de doações que vão desde fralda geriátrica até produtos de limpeza. Durante as apresentações conto causos da roça para os idosos e ver o sorriso nos olhos deles é muito emocionante. Humor faz bem para saúde, faz bem para alma e o coração. Humor é tão bom que chega ser engraçado”, brinca Eder.

Levar alegria e arrancar rios de idosos alojados em abrigos é uma especialidade de Éder

Dor transformada em amor

Durante todos os anos, Kayke promove inúmeras campanhas que movimentam pessoas a colaborar e doar desde alimentos até roupas

Kayke Freitas, 19 anos, é um personagem conhecido em Inhumas, há 35 km de Goiânia, onde, com uma doença rara e sem cura, a siringomielia, dá exemplo de superação e segue a prática da caridade e do amor ao próximo. Durante todos os anos, ele promove inúmeras campanhas que movimentam pessoas a colaborar e doar desde alimentos até roupas. “Não há felicidade maior do que ver a alegria no rosto das pessoas por onde passamos com nossas singelas contribuições”, diz o jovem.

Lições de sabedoria e altruísmo Kayke esbanja de brinde. Com o sério problema de saúde que provoca degeneração da medula espinhal (siringomielia), o jovem tem muitas histórias para contar – aliás, o que mais cativa a comunidade inhumense é o bom humor e a fé em um ser superior demonstrados em gestos e palavras. “Deus é tão perfeito que não nos daria algo que não pudéssemos suportar”, acredita.

Com essa fé inabalável, Kayke Freitas já suportou dois Acidentes Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI), um acidente automobilístico e diversas internações com crises convulsivas nervosas. Além da rara doença que o deixa debilitado que causa esclerose múltipla, artrose, bursite nos ombros, reumatismo sanguíneo, hipertensão e outras enfermidades. “Tento caminhar sempre com alegria, me desdobrando para fazer o melhor para a comunidade, sempre visando o bem e a solidariedade com amor” garante.

Sem limites

Vestido de Papai Noel, Kayke Freitas ofereceu diversão e brinquedos a mais de 350 crianças na véspera do Natal 2015

Apesar da siringomielia também limitar os movimentos – braços e pernas – de Kayke, como se ele tivesse um organismo de uma pessoa de 80 anos, os obstáculos rotineiros não impedem que o jovem supere a si mesmo. E mais do que isso, estenda as mãos aos mais necessitados. Ele chegou a fundar uma associação que leva seu nome, conhecida como “Amigos do Kayke Freitas”. A instituição é edificada na própria cidade de Inhumas e conta com ajuda de pessoas próximas ao jovem desambicioso.

Entre as atividades humanitárias da associação está em levar cestas básicas à população menos desfavorecida, almoços e festas beneficentes, distribuição de brinquedos e campanhas de conscientizações. Além disso, Kayke todos os anos se veste de Papai Noel – período natalino – e visita famílias e crianças de sua cidade, levando afeto e presentes. No dia 25 de dezembro de 2015 não foi diferente, de acordo com ele, foram mais de 350 crianças agraciadas com doações e muita festividade.

“Doamos também mais de 100 cestas básicas para os menos desfavorecidos aqui de Inhumas, nos últimos dias. Como todos os anos tenho certeza que fizemos um trabalho honesto, humanitário e sem preconceitos, pois o preconceito é a prova o quanto ainda somos primitivos”, diz Kayke.

Origem

Com os pais separados, Kayke foi criado pela família materna adotando seu avô Natalino Rodrigues, 71 anos, também chamado de Taffarel, como pai. Sua infância foi dedicada à igreja e sempre demonstrando caridade e amor ao próximo. Ele foi coroinha e acólito na Igreja Matriz Sant’Ana de Inhumas. Foi dentro da igreja e juntamente com a família dele, que Kayke determinou seu caráter.

Tocha Olímpica

Kayke Freitas é um dos 10 mil indicados a carregar a Tocha Olímpica Rio 2016

À reportagem do, Kayke Freitas revela outra emoção de gratificação de vida, que, conforme ele, veio por meio de reconhecimento dos trabalhos de caridade, ser um dos brasileiros a carregar a Tocha Olímpica Rio 2016. Serão cerca de 90 dias de revezamento e a Tocha passará por mais de 300 cidades do Brasil. Mais de 10 mil pessoas foram indicadas.

“Recebi em minha casa um representante da Coca Cola pelo comitê Rio 2016, que me surpreendeu com essa notícia. Pelas minhas benemerências, esforços e exemplos fui selecionado a carregar a Tocha Olímpica em nossa amada cidade.  Estou feliz por representar Inhumas em todos os quantos do mundo. Mesmo não chegando na fase final já sou um vitorioso de ter mais uma vez minha vida e dedicações reconhecidas”, declara.

Ao final da entrevista ele ainda deixou uma mensagem para os leitores e aproveitou para pedir ajuda de todas as pessoas de bem. “Conclamamos a comunidade à ajudar em nossas diversas campanhas. Agradeço também aos amigos que nos ajudaram durante todo os dias desse ano de 2015. E digo mais: O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência e fé. Todas as realizações do ano que se foi, que sejam apenas sementes plantadas e colhidas com muito sucesso no ano vindouro”, desejou.

Kayke Freitas recebeu recentemente uma homenagem do artista plástico e presidente da Associação Goiana de Artes Visuais, Nonatto Coelho

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