Corrupção na brincadeira
Redação DM
Publicado em 24 de maio de 2017 às 01:44 | Atualizado há 1 ano

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, interviu ontem na Agência Goianiense de Turismo, Esporte e Lazer (Agetul) para conter uma organização que fraudava a comercialização de ingressos para o Parque Mutirama e Zoológico. Segundo os promotores, o esquema funcionava há mais de 15 anos e pode ter dado um rombo nos cofres públicos superior a R$ 70 milhões.
A ordem para deflagrar a operação foi dada pelo juiz da 9ª Vara Criminal, Marcelo Fleury Curado Dias, que determinou busca e apreensão em diversos endereços, condução coercitiva de alguns funcionários da Agetul e a prisão temporária de funcionários e antigos dirigentes da autarquia, dentre eles do ex-presidente Dário Paiva.
As investigações iniciaram após levantamentos encaminhados para o MP que davam conta de um esquema que funcionava nas bilheterias do Zoológico e do Mutirama para a comercialização de ingressos. As informações preliminares indicavam uma prática corrente de todos os finais de semana em que os envolvidos se valiam da emissão de ingressos para entradas nos dois parques de diversões e da prestação de contas sempre abaixo do que realmente deveria ter sido a movimentação de público.
“O esquema criminoso se vale da forma propositadamente rudimentar da prestação de contas e ausência de fiscalização da venda de ingressos. Funciona, basicamente, assim: num final de semana qualquer são colocados à venda cinco mil ingressos (do 001 a 5.000) a R$ 10,00 cada. Após vender os cinco mil ingressos originais e, portanto, auferir renda de R$ 50 mil, os participantes do esquema providenciavam a impressão de três mil ingressos na LL Gráfica e Editora Ltda, administrado pela investigada Bárbara”, narrou o juiz na decisão.
ESQUEMA
Adiante ele observou ainda que o esquema prosseguia com a devolução dos ingressos falsificados ao cofre do Mutirama como se não tivessem sido comercializados e prestavam contas apenas dos dois mil restantes. Segundo o Ministério Público relatou na ação, faziam parte do esquema o ex-diretor-administrativo e Financeiro da Agetul Geraldo Magela, um gerente do zoológico chamado Deoclécio, que também foi preso temporariamente por cinco dias, e os funcionários das catracas Leandro Rodrigues Domingues, Fabiana Narikawa Assunção e Tânia Camila de Jesus Nascimento e Souza.
“Os funcionários eram obrigados a conviver com dívidas de R$ 300 mil com a Celg, R$ 120 mil com o Instituto de Previdência do Município e R$ 200 mil com fornecedores”, narrou o magistrado.
O atual presidente da Agetul, Alexandre Magalhães, informou que já está em fase de preparação para serem instaladas catracas eletrônicas no Mutirama e no Zoológico para impedir esse tipo de fraude.
