Cotidiano

CPI das Armas vai pedir reabertura de delegacia especializada

Redação DM

Publicado em 5 de novembro de 2015 às 04:50 | Atualizado há 11 anos

RIO – Deputados que integram a CPI das Armas da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) irão propor a reabertura da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae), extinta pelo governo do estado no final de 2011. Desde então, as investigações sobre as armas desaparecidas da Polícia Civil deixaram de ser centralizadas em uma unidade especializada, sendo distribuídas entre outras delegacias. Entregue à comissão da Alerj, um relatório da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (Cfae), da Polícia Civil, revelou que 1.623 armas, balas de vários calibres e explosivos foram roubadas ou extraviadas da corporação desde 2005. O coordenador da Cfae, delegado Rafael Willis, foi ouvido por parlamentares nesta quinta-feira na Alerj, mas ressaltou que não tem poder para apurar o sumiço do material.

A Drae foi fechada pelo ex-governador Sérgio Cabral sob a justificativa de baixa produtividade.

— Toda a CPI é a favor de que se volte a ter uma delegacia. A extinção da Drae foi um retrocesso. Hoje cada delegacia investiga (o roubo de armas), não tem especialização — afirmou o deputado Carlos Minc (PT), presidente da CPI.

A corregedora interna da Polícia Civil, delegada Adriana Mendes, também compareceu à CPI, mas não soube informar quantos policiais são investigados por desaparecimento de armas. Outra pergunta que ficou sem resposta é sobre os números de casos em que agentes estão na condição de vítima (como o policial que é assassinado e a arma desaparece) e os que envolvem ação criminosa dentro da corporação. Adriana Mendes e Rafael Willis pediram um prazo de dez dias para entregar todos os dados à CPI.

Minc suspeita de que parte do material desviado esteja alimentando o paiol do tráfico de drogas. Pelo documento do Cfae, 919 armas foram roubadas e 127 “extraviadas”. Sobre munição, foram 577 que a a Polícia Civil perdeu nesses dez anos. A CPI também levantou o número de armas que desapareceu da Polícia Militar: 670, também desde 2005.

— A conclusão que temos até agora é de que o desparecimento de armas tem aumentado, que o controle tem falhas e que o número de pessoas punidas é pequeno. O Ministério Público informou que 1.870 inquéritos sobre esses casos, apenas 3% viraram ações — disse Minc.

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