Cunha sobre o governo: ‘um processo de desgaste que talvez tenha chegado ao fundo do poço’
Redação DM
Publicado em 22 de junho de 2015 às 21:18 | Atualizado há 11 anosSÃO PAULO – O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse na noite desta segunda-feira – ao comentar a última pesquisa Datafolha sobre a popularidade da presidente Dilma Rousseff (PT) e as afirmações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de que a administração Dilma chegou ao “volume morto” – que o governo talvez tenha chegado ao fundo do poço, de onde não tem mais como cair.
– A gente está vivendo um processo de desgaste que talvez tenha chegado ao fundo do poço. O governo está implantando medidas que não foram debatidas na campanha eleitoral. Consequentemente, houve um desgaste que foi amplificado pela deterioração da atividade econômica – disse Cunha, ao chegar para um debate sobre políticas públicas com investidores, na Zona Oeste da capital paulista.
Segundo Eduardo Cunha, o governo tem condições de se reerguer e, para isso, “precisa recuperar a economia, ter ações positivas que o mostram atuando”.
Para o presidente da Câmara, o desgaste do governo não é do PMDB.
– O fato da gente ser aliado não significa que temos um projeto eleitoral conjunto para frente. Nós também somos aliados de outros partidos. Mas não quer dizer que todo o desgaste do governo também seja nosso. A responsabilidade de governar é do PT, e não nossa.
Sobre a prisão do empreiteiro Marcelo Odebrecht pela operação Lava-Jato, na última sexta-feira, Cunha preferiu não fazer comentários.
– São operações, decisões judiciais que se cumprem ou se contestam. Não cabe a nós fazermos comentários sobre isso.
Na entrada para o encontro com investidores, Cunha confirmou que o projeto que acaba com a desoneração da folha de salários deve ser votado na Câmara na quarta ou na quinta-feira.
Na saída, Cunha disse que o controle das contas públicas precisa ser um processo continuado no país, que começa com o ajuste fiscal.
– Todos (investidores estão) preocupados com a economia, com as contas públicas, com o ajuste fiscal e a política fiscal de médio e longo prazo no Brasil. A avaliação é que precisa ser um processo continuado de controles de contas públicas no país. O ajuste fiscal não vai terminar com uma votação nesta semana ou na próxima. Você precisa ter uma mudança de percepção. Este é um país que tem de ter medidas de médio e longo prazo para que mostre aos investidores que é um país que vai continuar atraindo investimento. Nós debatemos é isso, políticas públicas de longo prazo.