Desleixo vira dengue
Redação DM
Publicado em 8 de dezembro de 2015 às 22:31 | Atualizado há 1 anoCingapura, cidade-estado no limite sul do estreito de Malaca, na Ásia, reduziu de 16% para 2% o índice de locais inspecionados onde foram encontradas larvas e pupas do mosquito. A ação foi em 1960 e manteve a baixa incidência de dengue, que era a principal doença transmitida pelo inseto no país, de acordo com informações veiculadas na BBC, .
A campanha teve como efeito colateral a queda da imunidade da população, que sofreu uma epidemia de dengue no início dos anos 90. Atualmente, entretanto, a ação vem apresentando bons resultados com queda de 45% nos casos da doença somente nos primeiros cinco meses de 2015.Segundo a BBC, a estratégia de Cingapura se baseia em três pilares: pesado investimento em controle; coleta e análise de informação estratégica; e punição ao desleixo.
É certo que Cingapura tem apenas 5 milhões de habitantes e é uma das nações mais ricas do mundo, mas sua estratégia serve de exemplo para os demais países. Diariamente, 850 agentes percorrem regiões da cidade aplicando pesticida nos focos de desova. Além disso, há o monitoramento de todo o perímetro do país com uma rede de armadilhas. Elas são chamadas “gravitraps” e atraem mosquitos fêmeas em busca de um local para colocar seus ovos.
O governo acompanha de perto as armadilhas, o que permite o mapeamento das áreas de risco e facilita as ações de controle do mosquito nas áreas de maior incidência. Existe um código de cores que avisa aos moradores dos bairros a respeito do nível de risco no bairro onde moram.
Além disso, funcionários da Agência Nacional de Meio Ambiente (NEA, na sigla em inglês) têm autoridade para entrar em residências sem autorização, aplicar multas pesadas e, nem casos mais graves, a negligência pode levar à cadeia. Em casos de obras, se não forem devidamente limpas, podem ser embargadas.
Cingapura investe o equivalente à 45 reais por ano por pessoa no combate à dengue, o que, segundo especialistas procurados pela BBC, dificulta que o modelo seja aplicado em outros países, devido ao alto custo.
Opinião dos goianos
As medidas de controle no Brasil são menos efetivas pelo vasto território, além dos poucos recursos financeiros. Isso sem falar da falta de consciência de muitos cidadãos que acabam por contribuir com a infestação do mosquito ao evitar ações simples como cuidar do próprio lixo e quintal.
Sidney Ribeiro Júnior, 26 anos, mestrando, não acredita que a dengue seja proveniente da falta de higiene das pessoas. “O mosquito pode se desenvolver em vários ambientes. Se a pessoa joga lixo no quintal e esse lixo acumula água, o mosquito pode se desenvolver lá. Mas também pode se desenvolver em algumas folhas de plantas ou em calhas, por exemplo, que são muito difíceis de limpar”, defende.
Já para Alice Teixeira, 35 anos, empresária, o mosquito só se reproduz porque as pessoas disponibilizam, ao não cuidar do próprio lixo, lugares para eles se proliferarem livremente. “Se cada um cuidasse do próprio lixo e do próprio quintal, os casos de dengue teria uma redução muito significativa”, afirma.
Renata Augusta, 22 anos, estudante de medicina, explica: “Considerando que qualquer utensílio que possa acumular água pode virar um criadouro do Aedes aegypti, a má higiene com os lixos domiciliares é, com certeza, um fator de risco para propagação da dengue.”
Ela ainda completa: “Segundo o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), no centro oeste cerca de 43% dos criadouros do mosquito estão em depósitos domiciliares (vasos, pratos, bromélias, ralos, lages, piscina etc.) e cerca de 30% em lixos sólidos. Diante dessa informação, entende-se a importância de uma higiene domiciliar adequada a fim de prevenir a propagação da dengue”.
Rádio contra o Aedes Aegypt

Ontem (8) foi lançado o programa “Na Onda da Saúde”, que levará à 212 rádios comunitárias de Goiás informações a respeito do mosquito causador da dengue. As rádios vão receber, semanalmente, programas e entrevistas que vão divulgar ações que ajudarão na prevenção do Aedes Aegypt. As entrevistas contarão com participação de especialistas e técnicos em saúde.
O projeto foi desenvolvido ao longo de dois meses e é uma iniciativa da Coordenação de Educação Permanente da Superintendência de Vigilância em Saúde com apoio da Comunicação Setorial da Secretaria de Estado da Saúde (SES).
Protocolo Emergencial em resposta à microcefalia

Agência Brasil
O Ministério da Saúde lançou ontem (8) um protocolo emergencial de vigilância e resposta aos casos de microcefalia relacionados ao vírus Zika. O objetivo, segundo a pasta, é passar informações, orientações técnicas e diretrizes para profissionais de saúde e equipes de vigilância.
O documento contém a definição de casos suspeitos de microcefalia durante a gestação, o parto ou após o nascimento. Também traz critérios para a exclusão de casos suspeitos e apresenta um sistema de notificação e investigação laboratorial.
Há ainda orientações sobre como deve ser feita a investigação epidemiológica de casos suspeitos e sobre o monitoramento e análise dos dados. O protocolo também traz informações sobre o reforço do combate ao Aedes aegypti.
O diretor de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Cláudio Maierovitch, lembrou que, desde ontem (7), a medida padrão adotada para a triagem de bebês com microcefalia passou a ser 32 centímetros (cm) e não mais 33 cm, conforme preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Essa diferença aparentemente pequena leva a um grande número de notificações de crianças que estão na curva de normalidade, no extremo dessa curva”, disse Maierovitch. “Passamos a captar com mais segurança crianças que têm mais chance de ter microcefalia”, completou.
O ministério informou ainda que a presidenta Dilma Rousseff deve se reunir hoje às 17h com o ministro da Saúde, Marcelo Castro, e com governadores de diversos estados para discutir um plano de combate e enfrentamento ao vírus Zika.