Cotidiano

Doação para campanha de Dilma será discutida em acareação

Redação DM

Publicado em 5 de novembro de 2015 às 02:25 | Atualizado há 11 anos

CURITIBA — “​Um dos dois está errado”, afirmou o delegado da Polícia Federal Igor Romário de Paula ao comentar sobre a necessidade da acareação entre o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano. A acareação entre os dois começou no início da tarde desta quinta-feira na sede da PF em Curitiba e está sendo acompanhada por investigadores do Paraná e de Brasília. Uma das principais divergência seria uma suposta liberação de R$ 2 milhões à campanha da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2010, feita a pedido do ex-ministro Antônio Palloci.

O delegado afirmou que as contradições põem em xeque os depoimentos dos dois. Segundo ele, após a acareação. a PF vai gerar um relatório que será integrado as investigações. Caso se consiga provar quem está mentindo, o delator que faltou com a verdade corre o risco de perder os benefícios do acordo de delação premiada assinado como Ministério Público Federal.

— Não sei se será possível blindar as duas colaborações premiadas — afirmou o delegado.

Igor de Paula disse que é comum que os delatores ocultem uma ou outra informação, mas, no caso dos dois, há as diferentes versões para episódios importantes da Lava-Jato. Um desses casos seria o pedido d​e​ Palocci para a campanha. ​Costa disse que autorizou o doleiro Alberto Youssef a fazer o pagamento tirando o valor da cota do PP. Youssef, durante a CPI da Petrobras, disse que quem teria feito a transação seria o lobista Fernando Baiano.

— A acareação ajuda a ter mais convicção de quem está mentindo – afirmou Igor de Paula.

Não está descartado que a acareação passe a incluir o doleiro Youssef e os três sejam colocados numa mesma sala. A decisão de incluir ou não o doleiro será tomada dos depoimentos, se os delegados acharem necessário.

A expectativa é que os dois delatores mantenham suas versões, mas Igor de Paula afirma que a acareação ajudará os trabalhos da PF, para que sejam esclarecidos pontos importantes das investigações antes de decisões do juízo. Além da suposta doação, há dúvidas sobre os pagamentos feitos a políticos. Eles também falarão sobre divergências na investigação que envolve o suposto pagamento de propina pela empreiteira Odebrecht. O trabalho de acareação deve durar dois dias.

Outra questão que será abordada será o papel de Baiano no esquema. Ele é apontado pelo ex-diretor como operador do PMDB, o lobista nega ser o representante do partido. Baiano disse em delação que gerenciava contas no exterior para o próprio Costa e que o exdiretor inventou a história para para ocultar movimentações financeiras que chegam a US$ 20 milhões. Diante disso, o Ministério Público Federal e a PF passaram a suspeitar que Costa possa ter muito mais dinheiro no exterior do que declarou ao fechar seu acordo de delação.

O advogado de Baiano, Sérgio Riera, afirmou que seu cliente não mudará nada do que disse até agora:

— Ele vai reafirmar tudo o que já disse em depoimentos.

João Mestieri, advogado de Costa, disse que Paulo Roberto Costa também não tem alterações a fazer.

— Tudo o que ele tinha a dizer ele disse. O momento agora é outro, com outros interesses —afirmou Mestieri, negando que o acordo de delação premiada de seu cliente possa estar em risco.

Riera lembrou ainda que apenas o delator é punido caso seja comprovado que ele mentiu. Os depoimentos dados por ele seguem válidos.

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia