Cotidiano

E-mails de funcionário do Grupo Odebrecht foram entregues à PF, diz Braskem

Redação DM

Publicado em 26 de junho de 2015 às 16:29 | Atualizado há 11 anos

A Braskem informou, por meio de nota, ter cumprido o pedido da Polícia Federal e entregado às autoridades as mensagens da caixa de e-mail de Roberto Prisco Ramos armazenadas nos servidores. A empresa afirma que a coleta foi auditada por empresa de auditoria independente e certificada por tabelião. Um dos e-mails aprendidos pela PF é endereçado por Ramos ao presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, e a dois dos executivos do grupo apontados como representantes da empresa no cartel que agia na Petrobras – Márcio Faria e Rogério Araújo–, e fala em “sobre-preço” da ordem de US$ 20 mil a US$ 25 mil por dia num contrato de sonda. A Odebrecht alega que trata-se de um termo de mercado, não de superfaturamento ou algo irregular.

O e-mail, datado de 21 de março de 2011, é [email protected]. A Braskem afirma que Ramos deixou de ser funcionário da empresa em 2010 e foi transferido para outra empresa do Grupo Odebrecht. “O e-mail abordando as questões de sondas de óleo e gás, datado de março de 2011 e que está em posse das autoridades policiais desde novembro de 2014, não tem relacionamento com as atividades operacionais da Braskem”, diz nota da Braskem, empresa que tem como sócia a própria Petrobras.

O e-mail é interpretado pelo Ministério Público Federal como uma prova de que o empresário Marcelo Bahia Odebrecht tinha conhecimento do envolvimento da empresa no cartel que fraudava a Petrobras e do pagamento de propinas. A Odebrecht nega ter participado de qualquer cartel ou pagado propina.

O conteúdo deste e-mail acabou no centro de uma polêmica entre a Odebrecht e a Polícia Federal, com base no bilhete manuscrito pelo empresário Marcelo Odebrecht dentro da carceragem da PF e entregue a um dos agentes. No bilhete, que relaciona vários argumentos para embasar um habeas corpus, tendo como referência as denúncias do Ministério Público Federal, o empresário escreveu “destruir e-mail”. Para a PF, pode significar intenção de orientar destruição de provas. Para a empresa e seus advogados, o significado de destruir era rebater a acusação do MPF. O juiz Sérgio Moro recebeu o ofício da PF e pediu manifestação do Ministério Público Federal.

O conteúdo legível do e-mail diz: “destruir e-mail sondas vs rr. -> e-mail rr era da Brasken assim deve conseguir recuperar por lá história de iniciativa André Esteves. Lembrar que naquela época Sete = Petrobras off balance portanto ajudar Sete era visto como ajudar Petrobras”.

A Sete Brasil foi criada para construir 29 sondas para a exploração do pré-sal. Tem como sócios a Petrobras (5%) e um Fundo de Investimento em Participações (FIP) liderado pelo Banco BTG Pactual. Cada sonda tem um custo estimado em US$ 720 milhões.

A Sete Brasil, um dos principais projetos para explorar o pré-sal, também foi alvo de denúncia de corrupção. A informação consta na delação premiada feita por Pedro Barusco, ex-gerente-executivo da Petrobras e ex-diretor da Sete Brasil, à Justiça. Segundo ele, a propina chegou a 1% do valor do contrato firmado com cada um dos estaleiros. No esquema, os estaleiros pagavam para funcionários da Petrobras, da Sete Brasil e para o tesoureiro do Partidos dos Trabalhadores (PT), João Vaccari Neto. As propinas teriam começado a ser pagas em fevereiro de 2013. Barusco explicou que o pagamento “era sobre o faturamento e se dava periodicamente” ou, em alguns casos, “por evento e não por avanço físico do contrato”.

 

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