Cotidiano

Educação com as mãos

Redação DM

Publicado em 31 de maio de 2017 às 01:49 | Atualizado há 9 anos

Embora aparentemente haja consenso em relação à educação de pessoas surdas e a importância da língua de sinais, essa não é a realidade da maioria dos municípios brasileiros. Esse é um dos principais assuntos do II Seminário Goiano de Educação Bilíngue que começou ontem, em Goiânia, no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Goiás (UFG) e continua até hoje.

Organizada pela Associação de Surdos de Goiânia, a segunda edição do Seminário envolve um conjunto de instituições que atuam diretamente com pessoas surdas, com o propósito de discutir a educação bilíngue por meio da socialização dos saberes e experiências. Mais de 800 pessoas participam do evento.

Conforme o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva, o que representa 5% da população. Deste total, cerca de 2 milhões possuem a deficiência auditiva severa. No que se refere à idade, cerca de 1 milhão de deficientes auditivos são crianças e jovens até 19 anos.

De acordo com o professor do Instituto Federal de Goiás (IFG) Thiago Cardoso Aguiar, o Seminário possibilita à comunidade surda firmar posição na comunidade acadêmica, mostrando sua história e suas demandas atuais. “Marcar esse território dentro do meio acadêmico é muito importante porque esse meio influencia os demais meios da nossa sociedade”, ressalta o professor. Thiago é também presidente do Fórum de Educação Bilíngue de Goiás.

“Para falar de inclusão para a pessoa surda precisamos falar de educação bilíngue: as dinâmicas em sala de aula devem ser diferenciadas para o aluno surdo”, defende Waléria Vaz, coordenadora do curso de pedagogia bilíngue libras-português do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG). Segundo ela, é preciso valorizar a língua brasileira de sinais (libras) e as diferentes metodologias para que a inclusão da pessoa surda aconteça.

Ainda de acordo com a coordenadora, a formação de professores bilíngues para atuar na educação infantil e no ensino fundamental facilita muito o processo de aprendizagem dos alunos surdos. Isso quer dizer que crianças surdas serão alfabetizadas, primeiro, na língua materna, a libras; depois, na segunda língua obrigatória, o português.

“Assim fica muito mais tranquilo: o surdo vai ser atendido na língua dele, e o processo vai caminhar de igual para igual, como se fosse uma criança ouvinte”, afirma Waléria Vaz.

Legislação 

A língua brasileira de sinais começou a ser regulamentada no país em 1993. Mas apenas em 2002 a libras foi oficialmente reconhecida e aceita como forma de comunicação e expressão da comunidade surda, por meio da Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002.

Em 2005, a libras foi determinada como disciplina curricular obrigatória para todos os cursos de licenciatura e fonoaudiologia, nas diferentes áreas do conhecimento. Para os demais cursos de educação superior e profissional, a disciplina é optativa.

Outra grande conquista para o movimento aconteceu em 2010, quando a profissão de tradutor–intérprete de libras foi regulamentada pela Lei nº 12.319, de 1º de setembro.

 



“Para falar de inclusão para a pessoa surda precisamos falar de educação bilíngue: as dinâmicas em sala de aula devem ser diferenciadas para o aluno surdo”
Waléria Vaz

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