El Niño deve agravar seca e aumentar risco de queimadas na Região Centro-Oeste
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 5 de agosto de 2026 às 11:54 | Atualizado há 27 minutos
Seca severa prevista para os próximos meses pode aumentar a ocorrência de queimadas no Centro-Oeste | Foto: Divulgação/Governo de Goiás
Um episódio de El Niño classificado como muito forte deve aumentar a preocupação com a seca e as queimadas no Centro-Oeste entre agosto e outubro. A previsão consta no segundo boletim do Painel El Niño, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em conjunto com outros órgãos federais. O documento aponta 100% de probabilidade de permanência do fenômeno até o começo de 2027.
O período entre agosto e outubro corresponde ao fim da estação seca e antecede a consolidação do período chuvoso em grande parte do país. Para o trimestre, a previsão indica a combinação de precipitações abaixo da média e temperaturas superiores aos padrões históricos no Centro-Norte, cenário que pode elevar a ocorrência de incêndios, especialmente no Centro-Oeste.
O boletim classifica como áreas de “Alerta Alto” para risco de fogo regiões que se expandem principalmente pelo Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, além de grande parte da Região Norte. Segundo o Inmet, houve aumento significativo do risco em comparação com o mês anterior.
Como o El Niño favorece o tempo seco no Centro-Oeste
O El Niño é um fenômeno climático natural associado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico. O processo ocorre em meio ao enfraquecimento dos ventos alísios, que normalmente atuam na circulação das águas e da atmosfera na região equatorial.
A alteração desses ventos interfere na circulação atmosférica em escala global e contribui para a manutenção de temperaturas elevadas. No Centro-Oeste e na Amazônia, o ar seco tende a descer e permanecer próximo à superfície, formando uma espécie de bloqueio atmosférico que dificulta a ascensão e a dissipação do calor.
Com a circulação atmosférica alterada, a formação de nuvens e de chuva também fica prejudicada. A combinação entre temperaturas elevadas e baixa umidade favorece o ressecamento da vegetação, aumenta a possibilidade de grandes queimadas e agrava as condições de seca na região.
De acordo com o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a atuação do El Niño contribui para a permanência de condições de seca severa no Centro-Oeste e no Norte do país.
O fenômeno também provoca o enfraquecimento dos ventos alísios equatoriais, reduzindo a entrada de umidade proveniente do Oceano Atlântico. Com menos umidade disponível na atmosfera, o tempo seco tende a se intensificar e o ambiente se torna mais favorável à propagação do fogo.
Fumaça das queimadas também ameaça a saúde
Além dos impactos ambientais, as queimadas também representam riscos à saúde da população. Segundo o Ministério da Saúde, os incêndios liberam grandes quantidades de fumaça e partículas tóxicas na atmosfera, que podem atingir tanto comunidades próximas aos focos quanto regiões mais distantes, devido à dispersão dos poluentes.
A exposição à fumaça pode aumentar o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares e agravar problemas de saúde preexistentes. Diante da previsão de seca severa e do aumento do risco de queimadas, o cenário reforça a necessidade de atenção às recomendações de saúde e de adoção de medidas preventivas durante os períodos de calor, baixa umidade e presença de fumaça.