Cotidiano

Enterro de jovem morto por engano por PM é marcado por emoção

Redação DM

Publicado em 31 de outubro de 2015 às 09:30 | Atualizado há 11 anos

RIO – O enterro de Thiago Guimarães, de 24 anos, morto por engano por um policial militar na Pavuna, na quinta-feira, foi marcado por muita emoção. Parentes e amigo lamentaram a morte do jovem, que foi enterrado no Cemitério do Irajá, na Zona Norte do Rio. Thiago dirigia uma moto e levava na garupa Jorge Lucas de Jesus Martins Paes, de 17, quando os dois levaram um tiro. . Os dois eram mototaxistas.

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A irmã de Thiago, Gabriela Guimarães, de 20 anos, contou ao jornal Extra que o irmão estava empolgado para ser pai. Sua filha deve nascer em dezembro.

— Era a primeira filha do Thiago, ele estava muito feliz. Com certeza a Alice já vai nascer cercada de muito carinho e vai saber que o pai dela era maravilhoso — desabafou.

Muito abalada, a mãe do jovem, Márcia Machado, pediu para que os policiais honrem as suas fardas:

– A única coisa que eu peço é que eles façam o trabalho direito e deitem na cama à noite com a cabeça tranquila porque defenderam a população. Até quando isso vai acontecer? Minha nora vai ser mais uma que vai criar a filha sem o pai. Eles são bandidos e merecem estar na cadeia. Fiquei sabendo que o sargento que matou meu filho está recebendo ajuda psicológica. E eu? Ainda não recebi nem um pedido de desculpas. A única dor que se iguala à minha é a que Jesus sentiu ao ser crucificado. Mas assim como ele, eu vou aguentar – afirmou ao Extra.

Amigos fizeram ainda um protesto no local. Eles levaram uma faixa que dizia ‘Macaco não é arma. Moto taxista não é bandido’.

O policial, que não teve o nome divulgado, admitiu o erro e foi afastado de suas funções nas ruas. Ele deverá receber tratamento psicológico. O delegado Rivaldo Barbosa, da Delegacia de Homicídios, informou que não vai pedir a prisão do militar devido à sua colaboração com as investigações.

Na sexta-feira, o pai de Thiago, Gilberto Dingo contou que os dois jovens foram atingidos quando voltavam para casa, depois de terem consertado o pneu da Kombi de um amigo. Após a morte de Thiago e de Jorge, que trabalhavam como mototaxistas, um policial da equipe pediu desculpas pelo erro. Mas Gilberto diz não ter condições de perdoar:

-Um militar veio pedir desculpas em nome da equipe e eu falei: ‘amigo, não me leve a mal não, mas eu não vou aceitar a sua desculpa’. Não vou aceitar. Ele vai voltar? A punição do seu amigo qual vai ser? Vai ficar preso um ou dois, três quatro meses? E depois? – questionou o pai.

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