Esposa e mãe de López relatam humilhações em visita familiar na prisão
Redação DM
Publicado em 18 de janeiro de 2016 às 23:10 | Atualizado há 11 anosCARACAS — A esposa do líder oposicionista venezuelano, Leopoldo López, afirmou ter sido vítima de “humilhação” durante a visita familiar ao marido na penitenciária de Ramo Verde no último domingo. Em entrevista à imprensa da Venezuela, Lilian Tintori relatou que foi recebida com insultos, gritos e ameaças pelo coronel responsável pelo local. Além disso, a mãe de López, Antonieta Mendoza, ao ser revistada, diz ter sido obrigada a se despir e abrir as pernas na frente dos netos.
— Eu apenas pedia que ele não gritasse comigo e, quando o contestava, ele em ameaçava dizendo que proibiria as visitas por seis meses — disse a esposa de López, que está preso desde fevereiro de 2014.
Lilian, que participa ativamente de campanhas pela libertação do seu marido, diz ainda ter sido vítima de tratamento discriminatório. Ela foi levada a um local em separado, sem nenhuma peça de roupa, para uma revista excepcionalmente invasiva, em que até o seu absorvente foi inspecionado. Durante o horário de visitas, ela foi separada dos seus filhos, que brincavam em “um lugar cheio de escombros” com o pai.
A mãe de López, Antonieta Mendoza, que participava da visita ao lado da nora e dos netos, também afirmou ter sofrido uma experiência traumática na visita às penitenciária. Ela disse que foi levada a um quarto, onde teve que se despir e abrir as pernas para ser revistada na frente de seus dois netos, que ainda são crianças.
— Eles me despiram completamente e ordenaram que eu abrisse as pernas diante dos meus netos. Espero que Manuela possa se esquecer desta imagem.
Ativista de oposição, Lilian disse que espera representar milhares de presos políticos e suas famílias, que são vítimas de humilhação na prisão, com a sua denúncia.
— Sei que estes nossos relatos vão trazer consequências, mas Leopoldo me disse que eu deveria fazer o que achava correto. Estamos aqui denunciando isso, porque acreditamos que somos a voz de milhares de presos políticos e de milhares de mulheres que recebem humilhações similares nas prisões deste país — disse.
Em 2015, Lilian já havia feito denúncias semelhantes, em que relatava sofrer com as atitutes vexatórias dos funcionários da penitenciária — incluindo ser despida e provocada na frente de câmeras monitoradas por Diosdado Cabello, ex-presidente da Assembleia Nacional e considerado número 2 do chavismo.
Detido em fevereiro de 2014, López é acusado de incitação à violência, incêndios criminosos, danos ao patrimônio público e formação de quadrilha durante os protestos contra o governo venezuelano no início de 2014, que deixaram 43 mortos.
Em setembro do ano passado, o líder da oposição foi condenado a 13 anos, 9 meses e sete dias de prisão. A condenação de López, de 44 anos, provocou protestos de muitos de seus apoiadores, que o consideram um bode expiatório, mas também elogios de partidários do governo que o acusam de ser um golpista.