Estações de trem são esvaziadas após suspeita de ataque em Munique
Redação DM
Publicado em 31 de dezembro de 2015 às 07:06 | Atualizado há 11 anosMUNIQUE, Alemanha — As estações de trem de Pasinger e Haupt, em Munique, foram esvaziadas nesta quinta-feira, minutos antes da virada do ano, por “sérias suspeitas de um iminente ataque terrorista”. No Twitter, a polícia local pediu que moradores evitassem multidões. O temor de novos ataques terroristas após os atentados em Paris — que deixaram 130 mortos em novembro — marcou a virada do ano nas principais capitais europeias, que ou reforçaram a segurança ou cancelaram os festejos públicos.
— Temos provas concretas que não podemos varrer para debaixo do tapete — disse um porta-voz da polícia de Munique. — As pessoas devem evitar grandes aglomerações. Principalmente, não devem ir para a principal estação ferroviária e para a estação de Pasing. Ambas não estão funcionando.
Em Bruxelas, onde a descoberta de um complô no início da semana levou as autoridades a suspenderem a tradicional queima de fogos da meia-noite, a polícia prendeu nesta quinta-feira o décimo suspeito de participação nos ataques na capital francesa e mais seis pessoas que estariam envolvidas nos planos de um atentado no réveillon na capital belga.
— Não podíamos garantir controlar todo mundo — justificou o prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur. — As operações ainda estão sendo conduzidas e sentimos que era melhor não correr riscos.
Já em Paris, a despedida de 2015, que começou com o ataque à redação do jornal satírico “Charlie Hebdo”, em janeiro, e culminou com os atentados de 13 de novembro, teve um clima de “sobriedade e união”, como resumiu a prefeita Anne Hidalgo. O tradicional show de luzes da meia-noite no Arco do Triunfo foi encurtado e a queima de fogos cancelada para reduzir a multidão nas ruas, enquanto 11 mil soldados e policiais guardavam alguns dos principais pontos, como a Catedral de Notre Dame. No total, cerca de 100 mil agentes de segurança foram mobilizados no país.
No pronunciamento de fim de ano, o presidente francês, François Hollande, alertou que o país “não acabou com o terror”, mas “a França não cedeu”:
— Apesar das lágrimas, a França permaneceu de pé. A ameaça terrorista permanece, em seu maior nível, e nós estamos regularmente interrompendo ataques planejados — disse, defendendo mudanças constitucionais na repressão a extremistas.
A sombra do medo se espalhou pela Europa depois de surgirem indícios de que pelo menos dois dos terroristas responsáveis pelos ataques em Paris entraram no continente escondidos na onda de refugiados dos conflitos no Oriente Médio. No último dia 26, a policia de Viena, Áustria, informou que “um serviço de Inteligência amigo” alertara as autoridades europeias sobre o perigo de sofrerem atentados nas capitais na virada do ano.
Prisão em Nova York
Em Berlim, os organizadores da festa no Portão de Brandenburgo anunciaram reforço de 150 policiais e a proibição de sacolas e mochilas. Ainda assim, esperavam a presença de pelo menos 1 milhão de pessoas para a queima de fogos.
Em Madri, por sua vez, as autoridades informaram um aumento de 15% no efetivo policial e dos serviços de emergência em relação à festa do ano passado. Londres mobilizou cerca de 3 mil policiais para as ruas centrais da cidade, com uma proporção maior do que a normal portando armas, em especial nas estações de metrô.
Enquanto isso, na Itália, um porta-voz da polícia local informou que houve um aumento de mais de 30% no número de policiais nas ruas de todo país em comparação com o fim do ano passado. O reforço na segurança era aparente em torno do Circo Máximo de Roma, palco do tradicional concerto de réveillon ao ar livre, e também em Milão, onde o público que foi ao show na praça da catedral gótica teve que passar por corredores de segurança.
Já em Moscou, a Praça Vermelha, tradicional ponto das comemorações da virada do ano na capital russa, foi fechada. Segundo as autoridades, a medida foi tomada para permitir a filmagem do concerto de ano novo no local, mas a própria emissora de TV envolvida na transmissão negou a informação, gerando especulações de que, na verdade, o fechamento se devia ao temor de um atentado.
Em Nova York um homem foi preso e acusado de planejar um atentado na véspera de Ano Novo a mando de um integrante do Estado Islâmico na Síria. Segundo a polícia local, Emanuel Lutchman, de 25 anos, que se disse convertido ao islamismo, pretendia atacar um bar ou restaurante da região de Rochester para “se mostrar digno” de se juntar à luta do grupo no Oriente Médio.