Cotidiano

Ex-deputado petista diz guardava dinheiro em casa para uma ‘eventualidade’

Redação DM

Publicado em 14 de outubro de 2015 às 02:40 | Atualizado há 11 anos

SÃO PAULO — O ex-deputado André Vargas (ex-PT/sem partido) disse que usou a compra de uma casa de luxo em Londrina, no Paraná, para lavar dinheiro de esquema de corrupção investigado na Operação Lava-Jato. Em depoimento ao juiz Sérgio Moro nesta quarta-feira, o ex-deputado explicou que dos R$ 980 mil pagos na compra do imóvel, R$ 400 mil foram em dinheiro guardado no seu escritório para uma “eventualidade”.

Além do ex-deputado, que foi condenado a 14 anos de prisão em outra ação da Lava-Jato, respondem a acusação de lavagem a sua mulher, Edilaira Gomes, e o irmão do ex-parlamentar, Leon Vargas. À Receita Federal, Vargas declarou que pagou R$ 500 mil pela casa, mas o antigo proprietário da casa disse ao Fisco ter recebido R$ 980 mil. Para o Ministério Público Federal há indício de lavagem de recursos.

— Todos os meus bens cabem perfeitamente na minha receita – disse o ex-parlamentar ao juiz explicando os motivos de ter pago quase metade do imóvel em espécie:

— Eu guardava (os recursos) para uma eventualidade.

O relatório da Receita Federal anexado à investigação apontou que o ex-deputado ocultou do fisco “o real valor” da casa adquirida em 2011. A divergência, segundo a Receita, foi de R$ 480 mil. O documento diz ainda que “falta de constatação da real fonte de recursos” pagos pelo imóvel.

De acordo com o MPF, nos dados fornecidos pela Receita, não há correspondência de retiradas nas contas de André Vargas e de Edilaira Soares com os pagamentos feitos pelo imóvel, o que, para os investigadores, “é indicativo de que eles não transitaram em suas contas correntes”.

‘NUNCA DEIXEI DE ATENDER EMPRESÁRIOS’, DIZ VARGAS

No início do depoimento, o ex-deputado pediu a palavra ao juiz Sérgio Moro e fez uma breve exposição de sua história política e pessoal. Disse que em 15 anos de vida pública acumulou um rendimento de R$ 3,6 milhões que foram usados para a compra do imóvel. Ele disse ainda que nunca deixou de atender empresários que pleiteavam coisas justas.

— Em nenhum momento, deixei de atender os empresários que pleiteavam coisas justas no nosso país, muito especialmente no Paraná. Poderia aqui lhe citar dez, quinze, vinte empresários (atendidos) dentro do limite institucional. Mesmo que, por vezes pareça notadamente na Lava-Jato as relações empresários sejam aparentemente apresentadas como todas criminosas, não ocorria na minha parte.

Vargas e o irmão já foram condenados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro em outra ação, decorrente da 11ª fase da Operação Lava-Jato. Na sentença, o juiz Moro afirma que Vargas, cuja sentença é de 14 anos, recebeu propina por meio de contratos de publicidade firmados pelo Ministério da Saúde e pela Caixa Econômica Federal. Vargas foi preso em abril.

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