Família mantida em cárcere privado
Redação DM
Publicado em 5 de maio de 2015 às 02:12 | Atualizado há 11 anos
Após denúncia, policiais militares da 1ª Companhia Independente da Policia Militar (CIPM) estouraram, por volta das 10h30 de ontem, cativeiro onde a jovem A. K. P., de 22 anos, e os dois filhos dela, de um ano e oito meses e de oito meses, eram mantidos em cárcere privado pelo seu marido.
- contou à polícia que sofria ameaças de morte e que o filho mais velho sofria constantes torturas por parte do acusado, que sempre que saia de casa a deixava trancada com os filhos, passando fome e sede. Ao constatarem a ocorrência de crime, os policiais resgataram a adolescente e as crianças.
“Quando chegamos lá, foi preciso arrombar a porta para ter acesso à família, o que configura cárcere privado. Ao entrarmos, tanto ela quanto as crianças começaram a chorar, neste momento, dissemos que estávamos lá para salvá-los”, lembra o sargento Dinamilton Mendes Silva.
O policial narra o horror a que a jovem e os filhos eram submetidos. “As crianças e a mãe ficavam em casa com fome, a mãe da vítima alimentava ela e os netos passando comida pela janela da casa e, quando ficava sabendo, ele batia na parceira. Ele é muito violento, já chegou a esfaqueá-la”, diz.
O que mais assusta, acrescenta o policial, é fato de o suspeito Ricardo Renner Machado Rezende, de 29 anos, infligir uma série de maus-tratos contra o filho menor de A., de apenas um ano e oito meses. “O bebê menor é filho dele, o mais velho não, então de uma semana para cá ele vinha maltratando a criança. Ele vinha beliscando órgãos genitais do menino, que devido as agressões, sentia muita dor e transmitia isso através do choro. Para fazer a criança calar a boca, o padrasto amarrava um tira na boca da criança”, conta.
Ainda de acordo com sargento Mendes, recentemente, o acusado de manter a família em cárcere privado, teria espancado o enteado ao ponto de deixá-lo inconsciente. “Ele teria batido a cabeça da criança na parede varias vezes, a ponto de ela desmaiar. Para a família não saber, diz a mãe, ele manteve o garoto durante dez dias trancado em casa, nem os vizinhos os viam”.
A mãe da criança acredita que o motivo de violência seria porque a criança não seria filho biológico do suspeito. Ricardo Renner Machado Rezende chegou ao local em que a família era mantida presa, no momento em que a polícia os libertava. O homem tentou fugir, mas foi alcançado e preso pela polícia.
Conforme informações da PM, Ricardo era o terror do quarteirão, no lote onde ele morava, em um barracão de três cômodos, ele intimidava todo mundo. A companheira teria dito que ele vende drogas e também dava o golpe do telefone. “Ela quis muitas vezes ir embora, mas ele não permitia. Na casa, não tinha nada para comer, na geladeira só tinha água”, afirma a mãe das crianças, que relatou também que o dinheiro era usado para drogas.
Violência contra a mulher
- K. P., 22 anos, tem muito medo do que o marido possa lhe causar após ser solto, afinal essa não é a primeira vez que ele é preso e acaba voltando para casa. “Estamos juntos há dois anos, ele sempre me bateu e me ameaçou. Agora, ele está preso de novo, só que até quando? Não tenho saída e a nossa Justiça é falha”, desabafa.
A jovem, de aspecto frágil, demonstra estar atordoada com a experiência vivida. “Não sei como ficará a minha vida, não sei o que vou fazer, ainda não tive tempo para pensar em nada. Dou a minha vida pelos meus filhos, para que eles cresçam bem… se ele voltar, vou sair de Goiânia, sei que ele vai voltar”, diz desacreditada.
Ricardo tem seis passagens pela polícia por roubo, furto, tentativa de homicídio com arma de fogo, injúria e lesão corporal. A. K. já havia o denunciado, duas vezes, na Delegacia da Mulher, no entanto, ela parou porque ele disse que não ficaria preso e quando saísse seria muito pior, a jurou de morte. “Uma vez que ela quis ir embora, ele foi atrás e a agrediu e trouxe de volta para casa”, diz Mendes.