Cotidiano

Familiares de detentos denunciam maus-tratos

Redação DM

Publicado em 15 de março de 2016 às 23:48 | Atualizado há 10 anos

 

Famílias de reeducandos do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia denunciaram ao Diário da Manhã casos de maus-tratos e ofensas em dias de visitas, sempre aos domingos, por parte dos agentes prisionais que fazem a triagem (averiguação e controle da entrada de visitantes). Neste último domingo (13) parentes manifestaram durante a tarde suas indignações na porta do presídio. Reportagem ouviu histórias de famílias que denunciaram o descaso.

“Somos maltratados pelos agentes prisionais. Não podemos ser tratados de forma tão arrogante”, desabafou Maria Barros Silva, avó de um reeducando da Casa de Prisão Provisória (CPP). Padrasto de um reeducando da CPP, Rafael Marcos Amorim criticou a forma como é feita a triagem. “O atendimento na hora das visitas é péssimo. Sou indignado com isso”. A reportagem do Diário da Manhã conversou com um agente prisional na portaria do Complexo Prisional. “Às vezes é preciso agir com bravura e estupidez. Alguns familiares causam tumulto na hora de visitas, outros querem entrar com bebidas, drogas e objetos ilícitos para dentro do presídio”, afirmou o agente.

Gleidson Campos, ativista de direitos humanos e irmão de um reeducando da CPP, usava um megafone na porta do presídio e conclamou: “estou aqui protestando contra esse abuso. Precisamos de mais respeito e mais dignidade nas visitas. Somos famílias e devemos ser bem tratados”.  Nathália Lima, que está com a mãe presa, aproveitou a manifestação para bradar: “os agentes prisionais desrespeitam a gente. Somos encarados com arrogância”. De longe, a Polícia Militar acompanhou o protesto.

Tendo em vista diversos relatos, visitantes disseram que são varias as demandas que o sistema penitenciário em Aparecida de Goiânia precisa melhorar. Uma mulher na porta do Complexo Prisional, que não quis se identificar, contou que presos doentes não recebem cuidados médicos adequadamente. “Meu filho está precisando de dentista há 6 meses. A assistente social disse que não tem escolta para levar ao consultório. Tem enfermeiras e médicos que não fazem nada aqui”. Um vigilante que trabalha todos os domingos no estacionamento confirmou as denúncias e frisou: “já ouviu histórias de outro mundo aqui”.

Uso de celular favorece ação criminosa de dentro das celas

A prisão de um membro da família trás, além de um sofrimento à família, várias preocupações quanto vivência dos carcerários nas celas. Parentes contaram que apesar da criteriosa forma da triagem e monitoramento de dos visitantes no Complexo Prisional, o sistema carcerário é falho, corrupto e perigoso ao mesmo tempo. Enquanto uma fila de arrastava para passar pelo portão, visitantes contavam que alguns agentes prisionais – não todos – trabalham no presídio de forma desonesta, operando com irregularidades comandadas por presos fortes (os apelidados pelos próprios detentos de “comando”) de dentro da penitenciária. “Os piores dos bandidos são os que usam fardas aqui dentro”, contou uma avó de um reeducando da CPP. Sem querer se identificar, ela relatou a nossa reportagem que o esquema de crimes de dentro da penitenciária dá muito dinheiro. “Eu pago R$ 1.500 para o meu neto ficar bem na cadeia. Se não pagar os presos fortes mandam bater até matar”, contou apontando o dedo para a entrada da penitenciária.”

Das celas, presos despacham ordens para os crimes e controlam organização criminosa que atua na sociedade. São gerentes do crime que comandam tudo do lado de fora da cadeia por ligações telefônicas e troca de e-mails. São assaltos, roubo a bancos, tráfico de drogas, homicídios, roubo e furto de veículos e outros crimes, que são planejados com pessoas em liberdade. Uma mulher do lado de fora do Complexo Prisional contou: “Um lugar que não tem crise financeira é aqui no presídio. Rola muito dinheiro aqui”.

A ineficiência do sistema carcerário favorece o mundo do crime quando aparelhos celulares usados por associação criminosa entram com muita facilidade para dentro das celas. O problema ocorre por conta de uma ineficiência de bloqueadores de sinal das operadoras de telefonias nos presídios. Por isso, os celulares que entram para as celas funcionam normalmente. A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSPAP) disse, em resposta a reportagem, que contratou bloqueadores de celular fixos para o Complexo Prisional e que para evitar a entrada de celulares e outros objetos não autorizados nos presídios, o setor de segurança realiza revistas de visitantes e servidores, além de busca e apreensão nas celas. Nossa reportagem procurou a assessoria de comunicação da Superintendência Executiva de Administração Penitenciária (SEAP), responsável pelo Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, para pronunciar sobre as denúncias, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

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