Flanelinha anuncia venda de estacionamento na Av. Goiás
Redação DM
Publicado em 11 de abril de 2015 às 03:20 | Atualizado há 1 anoREPRODUÇÃO G1
A falta de fiscalização por parte da prefeitura dá margem para que o absurdo ocorra, com os infratores confiando na impunidade. E foi assim que flanelinhas passaram a reservar e até oferecer à venda de áreas de estacionamento nas ruas do Setor Central de Goiânia. Na internet, um homem anuncia a venda de um espaço de 50 m² na Avenida Goiás, que é usado como estacionamento para motocicletas, já demarcado pela prefeitura. O preço pedido pela área é de R$ 2,5 mil.
Ao ser questionado sobre o anúncio, o “flanelinha” confirmou a tentativa de venda da área pública. “Fui eu que anunciei. Eu estou passando o lugar que eu trabalho”, disse. Ao todo, a área tem espaço para 21 motocicletas. Os motoristas precisam pagar para deixar o veículo nesse trecho da rua.
Já na via que contorna a Praça Cívica, uma das três faixas foi bloqueada pelos flanelinhas e se transformou em estacionamento. Para conseguir deixar o carro no local é preciso pagar o chamado “cafezinho”. As vagas são demarcadas com cones. “Aqui não pode andar sem dinheiro agora não. Fica difícil para estacionar agora aqui se não pagar”, diz um dos guardadores.
Para garantir a vaga todos os dias, tem motorista que paga por mês. Quando o “dono” da vaga chega, o flanelinha retira imediatamente o cone que reserva o espaço. “Tem gente que estaciona aqui comigo há 15 anos”, relata. Em determinados casos, o “cafezinho” pode chegar a R$ 40 por semana.
A Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMT) informou que aumentou a fiscalização na região. Apesar dos flagrantes, o órgão disse que agentes ficam no local durante todo o dia.

Marista
A área onde se concentram, no Setor Marista, restaurantes, bares, cafés e lanchonetes, além de algumas casas noturnas, os flanelinhas abusam dos preços, assim como na época das exposições no Parque Agropecuário de Goiânia, no Setor Nova Vila. Há casos de proprietários de veículos terem desembolsado até R$ 50 para evitar problemas com os vigiadores. “E se não pagar, além das ameaças de agressão, há o perigo de ter o seu veículo marcado para ser alvo de vandalismo no futuro”, reclama um motorista.
O caso da oferta do estacionamento de motos na Avenida Goiás foi mostrado pela TV em rede nacional, no início da tarde de ontem. Agora é esperar para ver se haverá, realmente, providências enérgicas para acabar com a exploração, que passou a ser abusiva a partir de quando os flanelinhas se sentiram donos de trechos das ruas da Capital.