Cotidiano

Histórias de superação marcam candidatos do CEEJA no Enem 2025

Gabriel Maia - Estágio DM

Publicado em 14 de novembro de 2025 às 15:56 | Atualizado há 8 meses

De jovens a idosos, candidatos enfrentam dificuldades, retomam os estudos e mantêm o foco no sonho de ingressar na universidade  | Foto: Léo Carvalho
De jovens a idosos, candidatos enfrentam dificuldades, retomam os estudos e mantêm o foco no sonho de ingressar na universidade | Foto: Léo Carvalho

No último domingo (9), dos 4,8 milhões de inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio 2025 (Enem) mais de 3,5 milhões de candidatos fizeram a prova do primeiro dia. O exame registrou aumento de 11% no número de inscrições em relação à última edição e mais de 38% em relação a 2022. Em Goiás, a avaliação teve mais de 166 mil inscritos. A segunda etapa será realizada neste domingo (16), com as provas de matemática e ciências da natureza.   
 
A reportagem do jornal Diário da Manhã esteve visitando alunos do 3º Semestre do Ensino Médio do Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos Universitário (CEEJA) de Goiânia. Aos 62 anos, Saulo de Tarso está fazendo pela primeira vez o Enem com sonho de se tornar professor de Ciências Biológicas. Ele conta que retomou aos estudos após 40 anos afastado da vida escolar, mas que nunca é tarde para buscar conhecimento.

De acordo com o estudante Tarso, o primeiro dia do Enem foi marcado por questões consideradas difíceis e cansativas, em especial devido à presença de textos longos que exigiam análise detalhada. Apesar das dificuldades, o participante avaliou que seu desempenho deve ter sido satisfatório. Com relação à redação, que teve como tema: “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, Saulo de Tarso acredita que tenha se saído bem, utilizando sua experiência de vida e a fase após os 60 anos.   

Perspectivas do envelhecimento”
 
“Envelhecer no Brasil não é fácil. Viver com um salário-mínimo e ainda precisar arcar com remédios, plano de saúde e sustento da família se torna quase impossível. Voltei a estudar porque acredito que a educação pode abrir novas oportunidades e melhorar a condição financeira das pessoas”, comentou Tarso. Para o segundo dia de prova, o estudante acredita que a dificuldade será maior, já que os candidatos enfrentarão as áreas de exatas, como Química, Física e Matemática.  
 
Saulo de Tarso é um dos 17.192 brasileiros com mais de 60 anos inscritos no Enem 2025. Durante a visita ao CEEJA, conhecemos dona Neuman Rodrigues, de 62 anos, que também cursa o 3º semestre e sonha em fazer Medicina. “O Enem é algo novo para mim, e tenho vontade de atuar na área de Geriatria para ajudar outras pessoas idosas. Infelizmente, perdi o prazo de inscrição deste ano, mas, mesmo assim, pretendo cursar um tecnólogo até conseguir uma vaga na universidade por meio do Enem para estudar Medicina”, afirmou. 

A juventude no Enem

Os outros dois candidatos de 19 anos, estudantes do 3º semestre do CEEJA, Henrique Freitas e Miguel Rodrigues, também buscam uma vaga na universidade, porém em áreas distintas. Henrique pretende cursar Psicologia, enquanto Miguel almeja seguir carreira como educador físico. “É uma prova complexa, que exige bastante interpretação de texto, e o tempo foi curto para responder às questões do primeiro dia junto com a redação”, afirmou Henrique, que já recebeu a medalha Alamar — maior honraria concedida pelo Colégio Militar de Goiânia a alunos com excelência acadêmica e disciplinar. 

Saulo (à direita), Henrique (no centro) e Miguel (à esquerda) representam gerações distintas unidas pelo mesmo objetivo: conquistar uma vaga na universidade através do Enem
| Foto: Léo Carvalho

Miguel Rodrigues, ex-aluno do curso técnico integrado em Mineração do Instituto Federal de Goiás (IFG), avaliou que a parte de Linguagens foi a mais tranquila devido à facilidade que possui em assimilar o conteúdo. “Acredito que me saí bem na primeira prova, apesar do grau de dificuldade e do tamanho dos textos que precisávamos analisar”, comentou o candidato, que sonha em atuar como profissional de educação física na área esportiva, especialmente com atletas. 

Para o segundo dia de provas, neste domingo, Henrique e Miguel acreditam que a avaliação será mais desafiadora por exigir maior domínio de cálculos nas questões de Ciências da Natureza. Mesmo assim, ambos afirmam estar preparados. 

Assim como a senhora Neuman, Rafaella Rocha, de 16 anos, aluna do último semestre do CEEJA, também foi impedida de realizar o Enem, desta vez por não conseguir comprovar sua identidade na lista de presença. A jovem, que sonha em cursar Psicologia, havia perdido o RG e não conseguiu acessar a conta do Gov.br para utilizar as formas de identificação digital. Rafaella lamentou ter perdido a oportunidade de fazer o exame, mas afirmou que pretende aguardar a próxima edição da prova. 

A coordenadora pedagógica do CEEJA, Vanderleia Fernandes (à direita), apoia os estudantes como Rafaella (à esquerda) e Neuman (no centro) de diferentes idades. “A nossa missão é dar oportunidade para pessoas sonhar com um futuro promissor. A nossa escola busca trazer um ambiente de inclusão para todos eles.” | Foto: Léo Carvalho

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