Cotidiano

Inflação, escassez e recessão: desafios para Maduro em 2016

Redação DM

Publicado em 4 de janeiro de 2016 às 05:05 | Atualizado há 11 anos

CARACAS — Inflação, escassez, recessão. Estes são os três grandes problemas, além da crise política, que deve enfrentar o governo chavista de Nicolás Maduro nos primeiros dias do ano. A Venezuela está envolta numa grave crise de muitas causas e, se não lidar com estes assuntos, ficará exposta ao colapso em todos os níveis.

De acordo com o diário “Correo del Caroní”, o país se vê fortemente afetado por números que não fecham. As indústrias se tornaram improdutivas. Em 2014, o Banco Central da Venezuela registrava uma contração de 4,4% na manufatura e de 9,5% na atividade comercial no terceiro trimestre; em 2015, estes mesmos indicadores são piores. Além disso, em outubro de 2015 o FMI anunciou uma projeção de recessão econômica de 10% ao fim do ano, acentuada pela queda dos preços do petróleo.

Também desabaram as ofertas de bens e serviços. Do que a mídia nacional mais fez eco ao longo de todo 2015 foi o aumento dos preços: um quilo de carne, que a princípio de 2015 custava 450 bolívares, ao final do ano saía a dois mil, o que representa uma alta de 344%. Neste contexto, e desde dezembro de 2014, o Banco Central da Venezuela deixou de publicar as cifras oficiais de inflação. Há demasiados produtos que não se conseguem. A queda da renda do petróleo e a pouca produção levaram à escassez de alimentos básicos a medicamentos.

— O que mais preocupa em 2016 é a chegada de uma crise alimentar, porque o Estado não vai ter recursos para importar comida”, assegurou o economista e professor da Universidade Central da Venezuela Douglas Becerra. — Deixaram-se de tomar medidas, as mais básicas vinculadas ao equilíbrio fiscal, porque nenhum sistema econômico nem político, independentemente de ser de esquerda ou de direita, pode manter uma brecha fiscal tão grande.

Para o economista, todas as distorções econômicas registradas no país só prova que ele está cada dia mais próximo do “colapso macroeconômico”.

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