Líder do PSDB no Senado critica ‘ética seletiva’ no caso Cunha
Redação DM
Publicado em 14 de outubro de 2015 às 04:26 | Atualizado há 11 anosBRASÍLIA – A proximidade do PSDB da Câmara com o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), abriu uma crise na cúpula tucana. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), disse nesta quarta-feira que o PSDB da Câmara “está errando”. Cássio disse que o PSDB pecou pela lentidão e que o partido não poder ter uma “ética seletiva”, numa referência ao fato de defender o impeachment da presidente Dilma Rousseff e ter uma postura mais amena quando a Eduardo Cunha, que já é alvo de processo protocolado no Conselho de Ética da Câmara devido às denúncias de que tem contas na Suíça.
O tucano propôs ao presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), uma reunião da Executiva Nacional do partido para definir uma posição oficial. Para o senador, não se trata mais de uma postura de líderes da Câmara ou do Senado e sim do partido como instituição. Ele reclamou da dificuldade de conversar com o líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), conhecido por não retornar telefonemas. O senador contou que tentou falar por três vezes com “Carlão” no final de semana prolongada e que ele “sequer retornou”.
— O que não pode é uma ética seletiva. Se queremos ética, ela tem que ser para tudo e para todos. Não pode ser para alguns, de acordo com as nossas conveniências e interesses. Temos que ter coerência para apresentar os caminhos de mudança que o Brasil precisa. Não quero me intrometer em um tema que diz respeito à bancada da Câmara, muito menos intervir na liderança do deputado Carlos Sampaio. Mas, nesse episódio, o PSDB, no mínimo, pecou por lentidão — disse Cássio Cunha Lima.
O tucano disse que o PSDB tinha que ter “reagido mais rapidamente”.
— Ainda há tempo para essa reação. Tivemos deputados que assinaram a representação do Conselho de Ética. Que se acabe com esse leilão que está posto de quem dá menos pela ética. O PSDB da Câmara está errando. Isso não pode nem ficar na liderança da Câmara e nem na liderança do Senado. A Executiva do PSDB precisa se reunir e deve se para deliberar sobre isso — disse o senador.
Ao falar da “ética seletiva”, o senador disse que tanto Eduardo Cunha como Dilma mentiram e que, portanto, o tratamento do partido deve ser o mesmo para os dois.
— Combatemos muito a presidente Dilma e ela deve ser punida pelas mentiras que a levaram à Presidência. A presidente Dilma mentiu para o pais inteiro e se elegeu presidente. Se critica o deputado Eduardo Cunha pelo fato de ele ter mentido na CPI da Petrobras (sobre a existência de contas no exterior). A mentira é ruim em qualquer lugar. Ela não pode ser aceita em parte alguma. É tão grave mentir em uma CPI quanto numa eleição — disparou Cássio.
Cássio disse que Eduardo Cunha está fazendo um “leião” entre governo e oposição para ver quem pode ajudá-lo. Para ele, a permanência de Cunha na Presidência da Câmara é “insustentável”.
— O presidente da Câmara faz um leilão para quem dá menos pela ética. É impressionante como o brasil está submetido a esse tipo de discussão. O presidente da Câmara usa o poder que tem para ver por onde que pode escapar mais facilmente. É uma situação que não pode mais ser tolerada, que não pode mais ser admitida. Quando a política envereda para esse rumo, é porque estamos no final do túnel — disse ele, acrescentando:
— Minha posição é que a situação do deputaod eduardo cunha é insustentável na condição de presidente da Câmara. Nesta condição, ele não tem mais como exercer esse mandato, pela peculiaridade do cargo e pela pedagogia péssima que se traz para a sociedade como um todo.
O líder do PSDB no Senado ainda criticou o discurso da presidente Dilma.
— É a fala intimidatória como sempre. Chamam para o diálogo de manhã e agridem a noite. É a rotina do governo que está em desespero — disse ele.