Líder socialista se inspira em Portugal e busca coalizão de esquerda
Redação DM
Publicado em 7 de janeiro de 2016 às 02:00 | Atualizado há 11 anosLISBOA – Em visita a Portugal para conversar com o novo primeiro-ministro, António Costa, o líder socialista espanhol Pedro Sánchez, anunciou que quer formar uma coalizão “à portuguesa” em seu país caso receba o aval para tentar criar um governo. Inspirado no acerto entre o socialista Costa e as legendas Bloco de Esquerda (antieuropeu) e Comunista, o líder do PSOE quer um acordo que traga mudança política à Espanha se o conservador Mariano Rajoy, do Partido Popular, não conseguir se reeleger. O PP não tem o apoio do PSOE para formar governo, e praticamente não tem condições de ter maioria absoluta no Parlamento desta forma.
— Digo não à grande coalizão proposta pelo PP. Se tivermos a chance, digo sim a uma grande coalizão progressista para a Espanha, inspirado na rota social tomada pelos portugueses. Precisamos liderar a mudança expressada pela vontade das urnas — disse Sánchez.
Tal medida se daria aliando-se ao Podemos, legenda de esquerda, e outras legendas menores, mas independentistas na Catalunha — único ponto onde PP, PSOE e o jovem Cidadãos se juntam contra. Qualquer governo precisa de 176 cadeiras para assumir. Com o Cidadãos, o PP ainda não chegaria nem a 160.
O PSOE teve 90 cadeiras, e o Podemos, 69. Com os demais partidos menores, conseguiriam a maioria necessária. No entanto, Sánchez tem relutado muito em oferecer uma alternativa com a legenda liderada pelo eurodeputado Pablo Iglesias, que admite permitir os catalães fazerem um referendo para buscar independência. O parlamentar tem duras críticas a Sánchez como líder do PSOE, o que fragmenta um eventual acordo.
Em Portugal, o também conservador Pedro Passos Coelho foi empossado, mas sem ter maioria absoluta, foi derrubado assim que o governo assumiu. O presidente do país então permitiu que Costa oferecesse a alternativa de maioria com as legendas mais à esquerda que o seu PS.
— Costa e os portugueses entenderam que, quando sai um Parlamento fragmentado das eleições, as forças da mudança devem se entender para governar e forçar pactos sólidos. É uma questão de política, não de siglas — afirmou Sánchez, ressaltando que uma coalizão do tipo na Espanha passará por “duras negociações” com as legendas mais radicais para ter entendimento. — A agenda social é que precisa ficar à frente.